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domingo, 9 de novembro de 2014

Grandes Civilizações (série de TV)

Produzida em 2009 pela Sol 90 Audiovisual (Barcelona), esta série foi criada originalmente na versão em inglês, chamada "The Time Compass", exibida pela ABC. Também foi lançada nas versões em castelhano ("Grandes Civilizaciones") e em português, aqui exibida pela TV Escola (entretanto, não consegui encontrar nenhuma informação sobre a série no site desta emissora). Na equipe técnica, temos Ernesto Soto como produtor executivo, direção de Federico Badia e roteiro de Ernesto Soto e Federico Badia.

A série Grandes Civilizações é uma excelente ferramenta para ilustrar as aulas de História Antiga no Ensino Fundamental, pois oferece um texto simples, porém muito informativo, com narração amigável. Seu gênero é classificado como "animação" porque esta é realizada com colagens de obras de arte de cada período retratado, como as pinturas das paredes dos templos egípcios, desenhos em pergaminhos, estátuas clássicas, entre outras artes e documentos históricos, além de traços originais dos artistas da produtora.
No total, são apresentadas 16 antigas civilizações, cada uma em dois episódios de aproximadamente 11 minutos (tempo didaticamente apropriado), totalizando 32 episódios. Por experiência própria, posso afirmar que exibir estes mini-documentários funciona muito bem em sala de aula. Nas turmas de 6º e 7º anos em que exibi os episódios, a maior parte dos alunos prendeu sua atenção às animações e à narrativa, e foi surpreendente como eles souberam reproduzir e questionar sobre assuntos considerados difíceis para sua faixa etária.

Além das informações concernentes à civilização do episódio, a "bússola do tempo" também nos leva a outras partes do mundo para apresentar o que acontecia na história das demais civilizações durante o mesmo período exibido.

Os episódios dessa série são facilmente encontrados no Youtube, porém, gostaria de agradecer aqui ao meu desconhecido Fabio Vinícius Gongora, que em seu site disponibilizou todos os episódios através do OneDrive.

Abaixo, tem-se uma lista dos episódios da série. É claro, não esquecendo dos mais críticos, a única civilização africana apresentada na série é a egípcia, deixando de lado alguns grandes impérios, como Mali e Congo... ademais, não há sequer um representante da Oceania; assim, fica claro que apenas 16 civilizações são insuficientes para retratar a enorme riqueza social, cultural e econômica da Antiguidade. Ficamos na torcida para mais excelentes episódios:

Episódio 1: O Antigo Egito – parte 1
Episódio 2: O Antigo Egito – parte 2
Episódio 3: O Império Inca – parte 1
Episódio 4: O Império Inca – parte 2
Episódio 5: A Grécia Antiga – parte 1
Episódio 6: A Grécia Antiga – parte 2
Episódio 7: Os Astecas – parte 1
Episódio 8: Os Astecas – parte 2
Episódio 9: O Império Romano – parte 1
Episódio 10: O Império Romano – parte 2
Episódio 11: A China Antiga – parte 1
Episódio 12: A China Antiga – parte 2
Episódio 13: Mesopotâmia – parte 1
Episódio 14: Mesopotâmia – parte 2
Episódio 15: Os Maias – parte 1
Episódio 16: Os Maias – parte 2
Episódio 17: Japão – parte 1
Episódio 18: Japão – parte 2
Episódio 19: Os Hebreus – parte 1
Episódio 20: Os Hebreus – parte 2
Episódio 21: Celtas e Vikings – parte 1
Episódio 22: Celtas e Vikings – parte 2
Episódio 23: O Império Bizantino – parte 1
Episódio 24: O Império Bizantino – parte 2
Episódio 25: O Islã – parte 1
Episódio 26: O Islã – parte 2
Episódio 27: Índia – parte 1
Episódio 28: Índia – parte 2
Episódio 29: O Império Carolíngio – parte 1
Episódio 30: O Império Carolíngio – parte 2
Episódio 31: Os Persas – parte 1
Episódio 32: Os Persas – parte 2


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quarta-feira, 8 de maio de 2013

Saul Bass: o pensamento se faz visível

Existe uma grande possibilidade de você reconhecer o logotipo ao lado. Ademais, se você acompanha a versão cinematográfica da saga X-Men, deve conhecer a bela abertura de "X-Men: First Class", de 2011 (veja o vídeo abaixo). Dessa forma, mesmo que inconscientemente, você está identificando as obras de Saul Bass (EUA, 1920-1996), renomado cineasta e designer gráfico que criou logotipos, cartazes e aberturas de filmes.



Hoje, quando inevitavelmente abri o Google para navegar, notei que inseriram um novo doodle. Frequentemente o site de buscas incorpora homenagens a personalidades ou datas comemorativas com a palavra "Google" formada com mais criatividade: pode ser com um simples desenho, uma animação ou um doodle interativo, em que se pode controlar o objeto, como a reprodução do sintetizador Minimoog, que podia ser tocado de verdade.
Voltando ao doodle de hoje, este homenageia Saul Bass com uma animação ao seu estilo. Confesso que ver esta animação causou-me a mesma sensação que tive ao assistir a abertura do filme "Prenda-me se for capaz", de 2002 (vídeo a seguir). Aquela sensação de "conheço isso de algum lugar", uma nostalgia por algo que não se sabe se foi vivido... Depois, descobri que tive essas impressões porque, de certa forma, boa parte dos designers de aberturas inspirou-se na obra de Bass. Assim, mesmo quem nunca assistiu a uma film title sequence de Saul Bass, com certeza viu alguma criada por um de seus "discípulos".



Veja a abertura do filme "It's a Mad, Mad, Mad, Mad World", criada por Saul Bass em 1963:



No caso dos logotipos criados por Bass, muitos ainda são usados, por sua incrível atemporalidade, passando a impressão de que foram desenhados com uma estética atual. Além do "velhinho da Quaker", você também deve conhecer alguns destes logos: Bell System, AT&T, General Foods, United Airlines, Avery International, Continental Airlines, Celanese, United Way, Rockwell International, Minolta, Girl Scouts of the USA, Lawry's Foods, Dixie, Frontier Airlines, Alcoa, Warner Communications e Fuller Paints.

Assim, continuo com meu estranho costume de não levantar da cadeira (ou do sofá) quando o filme acaba, e ler algumas partes dos créditos, pois artistas "ocultos" de um filme, como o designer, o compositor da trilha e o roteirista merecem ser reconhecidos por sua bela obra.

A seguir, a animação que aparece no Google de hoje - e somente hoje - publicada também no Youtube, com referências diretas a cartazes e aberturas do artista, em sequências de cores e silhuetas que se fundem em outras cores e silhuetas de Saul Bass, com direito ao jazz de Dave Brubeck, "Unsquare Dance":




Para não sair do tema deste blog: este artista é uma boa dica para uma interessante aula de Artes!

"Design is thinking made visible." (Saul Bass)


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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Let me take you to Rio

Frequentemente, presencio pessoas que torcem o nariz quando se fala algo sobre um filme nacional. Talvez isso aconteça porque os potenciais espectadores geralmente dependem das produções divulgadas durante a programação da Rede Globo, com matérias em telejornais ou mesmo incluídas em cenas de telenovelas. Como na maioria das vezes quem vai ao cinema prestigiar um desses filmes se sente no confortável sofá de sua sala, por não conseguir discernir se está assistindo a uma produção cinematográfica ou a uma novela (com os mesmos atores, cenários, qualidade e linguagens), os que se acham críticos chegam à conclusão genérica de que todos os filmes nacionais são de média qualidade.
Sabemos que isso não é verdade e, ao mesmo tempo, também é. Entretanto, péssimas produções existem em todos os lugares (o que dizer de certas comédias “colegiais” americanas?), a diferença talvez esteja nos recursos disponíveis para produção e na capacidade de expandir a divulgação.
Cena do voo de asa-delta ao redor do
Cristo Redentor.
Escrevo tudo isso como prólogo para meus comentários sobre a animação Rio. A necessidade dessa postagem surgiu após ter assistido o filme mais de três vezes (como professor, os meus colegas sabem o porquê) e não parar de pensar sobre esta produção.
Antes de tudo, surgem os comentários negativos: um desenho animado, ambientado no Rio de Janeiro, na época em que a cidade sediará alguns jogos da Copa do Mundo e as Olimpíadas? Será que estão querendo divulgar a cidade para não deixar os estrangeiros se preocuparem tanto com os problemas estruturais destes eventos? Deixo esses comentários para os teóricos da conspiração e já começo comemorando por este ser um filme visto por várias partes do mundo. E qualquer desconfiança se esvai quando se assiste junto a uma criança com seus olhinhos brilhando em ver tantos belos pássaros voando por diferentes cenários do Rio de Janeiro, tão perfeitos em seus detalhes, proporções e cores que nos deixam em dúvida se essas imagens foram produzidas por bytes ou por películas. Talvez por isso o filme também fez os olhos de muitos adultos brilharem.
 Acredito que tudo se deve ao fato de boa parte da equipe de produção ser de origem tupiniquim: o diretor, produção musical, compositores, músicos, todos esses créditos têm nomes brasileiros em sua essência, e nada me tira da mente que este é o motivo por finalmente ver um filme de origem americana ser tão fiel à nossa realidade...

O tucano Rafael tentou ensinar Blu a voar da Pedra da Gávea.

... Não sei se já existe um nome para uma fobia de filmes dublados, mas me incluo nesse grupo, independente da nacionalidade da produção. Mas, geralmente, abro exceções quando se tratam de desenhos animados, pois é reconhecida a qualidade do trabalho de dublagem para animações no Brasil e eu precisava ver este filme em português para melhor aproveitar seu clima. Após matar essa vontade, surgiu outra. Sabe-se que, no trabalho de dublagem, a trilha de sons, ruídos, algumas músicas e vozes de fundo – mantidas no original – acabam por ficar num volume ligeiramente mais baixo e numa frequência diferente para dar vez às vozes dubladas. Assim, ouvi algumas vozes em português com essas características e ficou a curiosidade sobre as vozes no áudio original. Assistindo ao filme – mais uma vez – em inglês, percebi que não só muitos brasileiros “figurantes” realmente falam em português (o que me surpreendeu nesta produção norte-americana), mas também os próprios personagens dizem algumas frases no nosso idioma, como o canarinho dublado (no original) por Jammie Foxx cumprimentar o protagonista Blu com um “Tudo bom?” e soltar “Aí, galera!” antes de sua frase falada em inglês, no meio de uma festa; além disso, muitas das músicas são um misto de cantores interpretando nos dois idiomas.

Enseada de Botafogo, Baía de Guanabara e Pão de Açúcar.
Outra característica que chama atenção é a fidelidade às diferentes ambientações do Rio de Janeiro. Sem exageros, animais e humanos convivem de acordo com a realidade, cenas urbanas contrastam com florestas, o luxo com a pobreza: temos belas praias povoadas por centenas de guarda-sóis e mesinhas da cor vermelha desgastada nos quiosques, Pão de Açúcar, Pedra da Gávea, floresta da Tijuca, bondinho, Santa Teresa, o Cristo Redentor e também feiras com sua beleza caótica, ruas congestionadas e as favelas. Tudo isso devemos ao diretor brasileiro, Carlos Saldanha (já consagrado pela animação Era do Gelo): qual americano colocaria um jogo justamente de Brasil contra Argentina na história? Lembrando que, concomitante à partida, os vilões percorrem as confusas ruas de uma favela atrás das araras (com nosso diretor indiretamente orientando pelo guru da estética da pobreza, Fernando Meirelles), mantendo a tradição de perseguir aves pela favela na tela do cinema, desde 2002. É admirável como Saldanha conseguiu incluir esses cenários do Rio de Janeiro no enredo, de modo que, em alguns casos, as características do local definem a direção que a trama vai tomar.
O menino Fernando introduz o espectador à
realidades das favelas, que não deixam de
fazer parte dos cenários.
A música também é um fator muito explorado. Talvez não existisse produtor musical executivo mais apto para essa tarefa do que Sérgio Mendes. Há tempos divulgando nossos ritmos de forma moderna pelo mundo, Mendes, juntamente com o experiente inglês John Powell e o percussionista-compositor Carlinhos Brown, fizeram uma trilha sonora (infantil) típica do Rio (atual). Samba, bossa e chorinho extrapolam seus limites aliando-se a raves e até mesmo ao funk para resultar em misturas modernas e com letras (traduzidas ou originais) numa linguagem própria para crianças. O ritmo musical, inclusive, define alguns personagens, como o tucano sambista (aposentado) Rafael, o canário malandro Nico e o cardeal funkeiro Pedro, entre outros.
Dessa forma, belos cenários e modernas músicas tradicionais culminam na emocionante cena panorâmica do Sambódromo Marquês de Sapucaí, lembrando perfeitamente o que se vê na transmissão de TV no mês de fevereiro. No áudio original, os personagens principais, coadjuvantes e figurantes interagem em inglês e português, enquanto no fundo os sambas-enredos tocam em sua língua nativa.
Com tudo isso, pôde-se observar do que um diretor e (parte de uma) produção brasileiros são capazes de fazer, tendo em mãos os recursos de uma gigante como a Fox, em estúdios da Blue Sky e da Skywalker Sounds. Outros filmes e animações foram feitos com estrutura equivalente e não conseguiram a chegar a um resultado como o conquistado em Rio. Se os gringos não se importarem com os aeroportos e quiserem aproveitar a Copa ou as Olimpíadas para conferir o que o desenho mostra, todos sairão ganhando, principalmente o talento de nossos mais diversos artistas.


Créditos das foto-montagens: RioTur / ViajeAqui
http://viajeaqui.abril.com.br/fotos/brasil/rio-filme-pontos-turisticos-624656.shtml