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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Prezi - Renascimento Cultural

Se você é fã da banda Guns N' Roses, com certeza conhece as capas dos (já) clássicos álbuns Use Your Illusion I e II, de 1991. A silhueta em destaque nas duas capas faz parte da obra A Escola de Atenas (1509-1510), do renascentista Rafael Sanzio. Este e outros fatos ilustram como o Renascimento Cultural ainda está presente nos dias de hoje, tanto em sua forma acadêmica como no imaginário popular.
Capas dos álbuns Use Your Illusion (Guns N' Roses) e
detalhe de A Escola de Atenas (Rafael Sanzio).
 
E por falar em Guns N' Roses e
Renascimento... Monalisa for
Destruction, de Will Knack.
Outros exemplos seriam as inúmeras releituras - ou mesmo paródias - da Criação de Adão (1511), detalhe da obra de Michelangelo na Capela Sistina: mesmo quem nunca viu esta pintura em sua forma original, já se deparou com esta imagem e seus personagens ou cenário trocados. Da mesma forma, a célebre Mona Lisa ou La Gioconda (1503-1506) de Leonardo da Vinci talvez seja a obra mais conhecida deste período. Além disso, da Vinci também nos presenteou com seus projetos de máquinas voadoras, de guerra e arquitetônicos, impossíveis de serem concretizados em sua época, mas que hoje são objetos comuns nas paisagens humanizadas.

Assim, faço minha contribuição na divulgação deste tema com uma apresentação no formato Prezi sobre alguns artistas do Renascimento Cultural. Prezi é um aplicativo que permite edições com o recurso de zoom, causando um ótimo efeito visual. No caso desta apresentação, basta clickar nas setas direita e esquerda da barra inferior ou do próprio teclado para avançar ou retroceder entre as informações e imagens. Para uma melhor visualização, utililize o botão "fullscreen" (no canto inferior direito) para aumentar para a tela cheia:



É claro, impossivel listar todos os artistas deste importante movimento. Entretanto, como o Prezi pode ser editado a qualquer momento, aos poucos irei acrescentar outros artistas a esta apresentação.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Prezi - Segunda Guerra Mundial

O tema da Segunda Guerra Mundial é vastamente explorado em livros, filmes, documentários, entre outras fontes de informações, provocando fascínio, revolta e reflexões até os dias atuais. Este evento histórico já pode ser considerado parte do imaginário humano, pois sofreu inúmeras interpretações, distorções e até mesmo mudanças propositais, em busca de instigantes romances literários, gráficos ou cinematográficos.
 
Este é um tema que atrai a atenção de nossos alunos. A figura de Hitler ainda causa muita curiosidade, pois mesmo quando não sabem exatamente de quem se trata, com certeza sabem que é um famigerado e importante personagem histórico.
 
Para ajudar a satisfazer - ao menos uma parte - dessa curiosidade, disponibilizo uma apresentação no formato Prezi com uma linha do tempo da Segunda Guerra Mundial. Prezi é um aplicativo que permite edições com o recurso de zoom, causando um ótimo efeito visual. No caso desta apresentação, basta clickar nas informações da linha do tempo, usar os botões de zoom ou a "rodinha" do mouse para aproximar e afastar as imagens e textos. Para uma melhor visualização, utililize o botão "fullscreen" (no canto inferior direito) para aumentar para a tela cheia:



Esta linha se inicia com o fim da Primeira Guerra Mundial e vai até o desfecho da Segunda. Apesar da vasta quantidade de informações presentes, provavelmente seja impossível incluir na linha do tempo todos os fatos ocorridos neste período. Aproveitando a interatividade do blog, se você sentiu falta de alguma informação na linha, por favor utilize o espaço para comentários e deixe suas sugestões ou críticas.
 
Boa aula!
 

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Saul Bass: o pensamento se faz visível

Existe uma grande possibilidade de você reconhecer o logotipo ao lado. Ademais, se você acompanha a versão cinematográfica da saga X-Men, deve conhecer a bela abertura de "X-Men: First Class", de 2011 (veja o vídeo abaixo). Dessa forma, mesmo que inconscientemente, você está identificando as obras de Saul Bass (EUA, 1920-1996), renomado cineasta e designer gráfico que criou logotipos, cartazes e aberturas de filmes.



Hoje, quando inevitavelmente abri o Google para navegar, notei que inseriram um novo doodle. Frequentemente o site de buscas incorpora homenagens a personalidades ou datas comemorativas com a palavra "Google" formada com mais criatividade: pode ser com um simples desenho, uma animação ou um doodle interativo, em que se pode controlar o objeto, como a reprodução do sintetizador Minimoog, que podia ser tocado de verdade.
Voltando ao doodle de hoje, este homenageia Saul Bass com uma animação ao seu estilo. Confesso que ver esta animação causou-me a mesma sensação que tive ao assistir a abertura do filme "Prenda-me se for capaz", de 2002 (vídeo a seguir). Aquela sensação de "conheço isso de algum lugar", uma nostalgia por algo que não se sabe se foi vivido... Depois, descobri que tive essas impressões porque, de certa forma, boa parte dos designers de aberturas inspirou-se na obra de Bass. Assim, mesmo quem nunca assistiu a uma film title sequence de Saul Bass, com certeza viu alguma criada por um de seus "discípulos".



Veja a abertura do filme "It's a Mad, Mad, Mad, Mad World", criada por Saul Bass em 1963:



No caso dos logotipos criados por Bass, muitos ainda são usados, por sua incrível atemporalidade, passando a impressão de que foram desenhados com uma estética atual. Além do "velhinho da Quaker", você também deve conhecer alguns destes logos: Bell System, AT&T, General Foods, United Airlines, Avery International, Continental Airlines, Celanese, United Way, Rockwell International, Minolta, Girl Scouts of the USA, Lawry's Foods, Dixie, Frontier Airlines, Alcoa, Warner Communications e Fuller Paints.

Assim, continuo com meu estranho costume de não levantar da cadeira (ou do sofá) quando o filme acaba, e ler algumas partes dos créditos, pois artistas "ocultos" de um filme, como o designer, o compositor da trilha e o roteirista merecem ser reconhecidos por sua bela obra.

A seguir, a animação que aparece no Google de hoje - e somente hoje - publicada também no Youtube, com referências diretas a cartazes e aberturas do artista, em sequências de cores e silhuetas que se fundem em outras cores e silhuetas de Saul Bass, com direito ao jazz de Dave Brubeck, "Unsquare Dance":




Para não sair do tema deste blog: este artista é uma boa dica para uma interessante aula de Artes!

"Design is thinking made visible." (Saul Bass)


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domingo, 7 de agosto de 2011

Ground Zero II

Ontem, 6 de agosto, foi o aniversário não-comemorável do ataque norte-americano  de natureza atômica à cidade de Hiroshima, no Japão. Posteriormente, em 9 de agosto, foi a vez de Nagasaki, marcando os momentos finais da Segunda Grande Guerra em 1945.
Já se passaram mais de 70 anos, mas o aplicativo reproduzido abaixo pode servir como reflexão: Ground Zero II simula o ataque de uma bomba atômica à sua cidade! Isso é possível graças à tecnologia do Google Maps, pois basta digitar o nome da cidade escolhida, selecionar o tipo da bomba e clickar no botão "Nuke It!". Então, é possível conhecer o alcance imediato da bomba, a pressão sofrida e os efeitos posteriores, bastando selecionar também a direção do vento na bússola abaixo do mapa.
Uma característica interessante é a opção de selecionar a bomba (real) a ser simulada: "Weapon Selector" fornece informações sobre quando, onde e como ela já foi detonada. Observe que justamente a Little Boy utilizada em Hiroshima é a que tem o efeito menor, em comparação às bombas posteriores, como a testada pela Coreia do Norte em 2009.
Abaixo, uma simulação em Praia Grande. Click na imagem para abrir o aplicativo em uma nova janela:


A função "Weapon Selector" ainda permite simular os efeitos da teoria que considera um meteoro que atingiu o planeta há 65 milhões de anos, extinguindo os dinossauros.

Referências:
http://www.carloslabs.com/
http://historica.me/bomba-atomica

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Artistas viajantes

Na postagem interior, foi comentada a incrível semelhança entre as paisagens do Rio de Janeiro e as reproduções digitais destes cenários para a animação Rio, de Carlos Saldanha. Dessa forma, dá-se prosseguimento ao tema através de alguns dos chamados "artistas viajantes", que produziram pelas regiões do Brasil principalmente entre os séculos XVII e XIX.
Dentre estes artistas, destacam-se aqui as produções da
Missão Artística Francesa:
A invasão da península ibérica por Napoleão fez com que a Coroa portuguesa partisse para o Brasil em 1808. Ao chegar, D. João VI decretou uma série de medidas econômicas e políticas que mudaram a organização social do Brasil. A família real preocupava-se, ainda, em europeizar o Rio de Janeiro. Posteriormente, a queda de Napoleão propiciou a retomada dos laços culturais entre a França e Portugal. À convite da Corte portuguesa, veio ao Rio de Janeiro a Missão Artística Francesa, chefiada por Joaquim Lebreton, e composta por um grupo de artistas plásticos. Dela faziam parte os pintores Jean-Baptiste Debret e Nicolas Antoine Taunay, os escultores Auguste Marie Taunay, Marc e Zéphirin Ferrez e o arquiteto Grandjean de Montigny. Esse grupo organizou, em agosto de 1816, a Escola Real das Ciências, Artes e Ofícios, transformada, em 1826, na Imperial Academia e Escola de Belas-Artes.
Durante os cinco anos em que aqui permaneceu Taunay, o pintor produziu cerca de trinta paisagens do Rio de Janeiro e regiões próximas:
  


Nicolas-Antoine Taunay. Vista do Morro de Santo Antônio, 1816
Debret. O entrudo no Rio de Janeiro, 1823.
Debret, por sua vez, realizou no Brasil uma imensa obra . Fez vários retratos da família real, aquarelas e desenhos sobre o cotidiano da cidade, retratando as atividades dos escravos, dos grupos indígenas e, também, sobre os fatos da vida da Corte. Pintou cenários para o Teatro São João (atual João Caetano) e realizou trabalhos de ornamentação da cidade do Rio de Janeiro, para festas públicas e oficiais, como a aclamação do rei D. João VI. Além disso, foi professor de pintura histórica na Academia de Belas-Artes, tendo permanecido no Brasil durante quinze anos. Um de seus trabalhos mais conhecidos é o livro "Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil", publicado em três volumes.

Desembarque da Princesa Real Leopoldina, de Jean-Baptiste Debret.

As viagens de cientistas, artistas e estudiosos tiveram um grande estímulo a partir de 1817, com o casamento da princesa Leopoldina, filha do imperador da Áustria, com D. Pedro. O grande interesse de D. Leopoldina pelas ciências naturais e pelas artes fez com que, em seu séquito, viesse uma enorme missão de cientistas e artistas europeus para explorar esse “país desconhecido”.
Integrando a comitiva da princesa também encontra-se o pintor austríaco Thomas Ender, que viajou pelo interior do Brasil, retratando paisagens e cenas da vida do povo, em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Ender permaneceu no Brasil por 18 anos, período em que produziu mais de 800 desenhos e aquarelas.
Finalizando, fica aqui mais uma sugestão de análise de imagens, priorizando a comparação das paisagens retratadas pelos artistas viajantes no passado e os atuais cenários do Rio de Janeiro. Esta cidade foi escolhida pelo vasto material produzido desde que foi estabelecida como centro político-administrativo do império português - e posteriormente brasileiro -, mas outras regiões também foram retratadas e estudadas da mesma forma. Ademais, a atividade torna-se mais interessante se, além de fotografias e videos, utilizarem-se as imagens geradas para a animação já citada, com a exibição do filme antes de iniciarem-se os trabalhos, ou durante as produções do alunos. A seguir, mais algumas obras de outros artistas estrangeiros:








Clik nas imagens deste post para obtê-las numa resolução maior.

sábado, 2 de julho de 2011

Esporte bretão?

É lugar-comum dizer que a popularidade do Futebol se deve à sua incrível capacidade de se adaptar a qualquer realidade - estrutural, econômica, etária etc. -, bastando algo que role de alguma forma (bolas de diversos materiais e tamanhos, tampinhas, material escolar...) e um local para se direcionar o referido objeto (o que nem sempre é necessário, quando se quer apenas driblar)... Também costuma-se chamá-lo de "esporte bretão", "inventado na Inglaterra", o que também é discutível, pois já existem relatos de práticas esportivas com características similares ao atual futebol na China e Japão antigos, Grécia e Roma, além de jogos da cultura maia e outros antigos povos norte-americanos (citando poucas referências).
A paternidade do futebol atribuída aos britânicos se deve ao fato de que nesta terra surgiu a preocupação em se normatizar essa prática esportiva, apenas no século XIX, servindo de referência para as atuais regras do desporto. A Football Association, formada por 11 clubes londrinos (inicialmente, eram 12 clubes), estabeleceu regras para este esporte em 1863, considerado o ano de nascimento do futebol moderno.
  “Futebol”, gravura de R. Cruickshank, publicada em 1827.
Mesmo sabendo que este tipo de informação pode ser conseguida em qualquer enciclopédia, impressa ou digital, chama a atenção a data dos primeiros relatos na China dos séculos III e II antes da era corrente, até a normatização britânica, cerca de vinte e dois séculos depois. Se os referidos clubes preocuparam-se em criar regras para os esporte, posso citar dois dos motivos para isso.
O principal seria diferenciá-lo de outros esportes similares na época, como o Rugby (este era o preferido do clube que ficou de fora da "association"), mas também chama a atenção a necessidade de se organizar um esporte praticado de forma caótica, quase sempre atribuído a situações confusas e à desordem.
“Futebol”, gravura de H. Heath (1830).
Isaac Robert Cruikshank, um caricaturista do século XIX que ilustrou obras como uma edição de "Dom Quixote" e um livro nomeado "Points of Misery". Suas produções mostram situações cotidianas de forma bem-humorada, e basta observar sua visão do futebol (ou "foot ball", o autor grafou os termos de forma separada) publicada em 1827 para se inferir sobre a prática deste jogo, anos antes da regulamentação.
Cruikshank não é o único exemplo. Outra gravura conhecida sobre o futebol é de 1830, produzida por H. Heath mostra uma situação análoga.

Goleiro francês Abbés e Pelé (1958).

Nilton Santos no jogo entre Brasil e União Soviética,
na Copa do Mundo de 1958.
  O francês Fontaine iguala o jogo Brasil 1 x 1 França
 na Copa do Mundo de 1958.
Chegando ao Brasil em 1894, trazido pelo paulista Charles Miller após uma viagem à Inglaterra, o futebol começou como um esporte de elite, mas a sua já citada adaptabilidade popularizou-o em nosso país de forma extraordinária. Participando desde a primeira Copa do Mundo organizada pela FIFA (Uruguai, 1930), o Brasil já sediou uma edição do campeonato em 1950, mas conquistando seu primeiro título apenas em 1958, na Suécia e, posteriormente, mais um título sequencial (Chile, 1962). Deixemos as obviedades de lado e vamos partir para a observação das cenas da época.
Brasil e Tchecoslováquia (1962).

Garrincha marca gol no jogo contra o Chile (1962).

Zito e Amarildo na Copa do Mundo de 1962.
Após a vitória da Inglaterra em 1966, o Brasil voltar a vencer no famoso "México 70", em pleno regime de Ditadura Militar, unindo esquerdas e direitas, ricos e pobres, guerrilheiros e militares, Arena's e MDB's num só grito quando o capitão (da seleção) Carlos Alberto levantou a taça. Aproveitando a deixa, façamos um salto para os anos finais do regime, quando a seleção de 1982 encantou a todos (apesar de não levantar a taça), para disponibilizar fotografias coloridas do evento.
Posteriormente, ainda matendo a tradição de Copa do Mundo e eleições no mesmo ano, comemorou-se 1994 e 2002, bastando observar as fotos e relembrar os momentos de ansiedade e alegria.


  Batalha aérea entre Everaldo e Luigi Riva, na final da
Copa do Mundo de 1970, entre Brasil e Itália.
Pelé na final Brasil x Itália (1970).

Clodoaldo marca na semifinal contra o Uruguai (1970).

Capitão Sócrates em jogo contra a Itália na Copa do Mundo em 1982.

  No memorável jogo entre Brasil e Itália na Copa do Mundo de 1982,
Serginho disputa a bola com dois italianos, Cabrini e Oriali.

Assim, aproveitando a Copa América (e fingindo que não estamos em período de férias escolares) deixo aqui uma sugestão de atividade, consistindo em  mostrar essas imagens aos alunos e solicitar que produzam sobre as mudanças que o futebol sofreu com o passar do tempo (organização, táticas, uniformes, estrutura, desempenho dos jogadores etc.) e também discutir as características da imagens (gravura, fotografia em branco e preto, fotografia colorida em película, fotografia digital...) que registraram essas mudanças (e permanências).

Bebeto marca no Brasil x Holanda da Copa do Mundo de 1994.

Branco cobra falta no jogo Brasil 3x2 Holanda (1994).

Raí no jogo Brasil x Camarões (1994).

Paolo Maldini e Romário lutam pela posse da bola no jogo Brasil x Itália (1994).

Roberto Baggio é marcado por Cafú (Brasil x Itália, 1994).

Taffarel defende o chute de Massaro (Brasil x Itália, 1994).

Romário e o sueco Håkan Mil (1994).

Conquista do pentacampeonato (2002).

Fontes:
The Global Game

L'aimable Faubourien

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quarta-feira, 25 de maio de 2011

José Leonilson: o coração como matéria-prima

"Léo não conseguiu salvar o mundo."...
O Léo em questão é o artista brasiliero José Leonilson e o mundo que, aparentemente, não conseguiu salvar se apresentou a ele primeiramente em Fortaleza, no dia 1º de março de 1957 e, posteriormente, em São Paulo (1961), onde ingressou na FAAP em 1977 e depois partiu em sua primeira viagem ao exterior em 1981. O mundo, enfim, estava para ser salvo. Entretanto, como já disse André Abujamra, "o mundo de dentro da gente é maior do que o mundo de fora da gente" e, no caso de Léo, fica a dúvida sobre qual mundo tentou salvar.
Uma pessoa especial uma vez disse que Leonilson foi "o ser humano mais lindo que já existiu". Ao ouvir essa frase e presenciar a exposição sobre o artista no Itaú Cultural, cheguei à conclusão que também é preciso ser um humano lindo para compreender toda a complexidade do mundo de dentro de Léo.
A referida exposição chama-se "Sob o peso dos meus amores" e está em cartaz até o dia 29 de maio. O destino, sob meu controle ou não, levou-me até lá e descobri uma nova forma de se fazer Arte. Apesar de ser considerado pintor, gravador e desenhista, Léo não só utiliza-se dos objetos mais diversficados (tecidos, sucata, sobras de bijouterias, tinta, linha de bordado etc. etc. etc.), como também nenhuma de suas obras se concretizaria sem a principal matéria-prima, o coração. E este também servirá para que se possa apreciar as obras do artista: não basta olhar, tocar, cheirar... é preciso sentir. Sentir o coração de um talentoso tímido que, além de sofrer todo o preconceito por sua homossexualidade, ainda teve que conviver por dois anos com o conhecimento de ser portador do vírus da Aids.
Está tudo lá: seus sonhos, anseios, desejos, amores frustados e distantes, a família, a doença, o preconceito, os amigos... É interessante perceber que, ao ir a uma exposição para se ver obras, na verdade se viu uma biografia, escancarada, confeccionada pelo próprio protagonista. É latente a presença de pontes sobre rios distanciando cidades, opostos, pessoas, corações. Ainda utilizando mais a sensibilidade e menos o senso crítico, é muito bom (é esse o termo) observar a variação do tamanho das obras, que podem ocupar toda a altura da parede para ficarmos um bom tempo contemplando, ou exigir que apertemos os olhos para enxergar melhor minúsculas montagens e desenhos do tamanho do coração do artista no momento de sua concepção. Pela primeira vez, senti-me à vontade para definir o que um artista estava pensando (sentindo) ao produzir suas obras, pois fica claro que Leonilson quer que façamos isso... E dessa forma, Leonilson nos deixa - e ao mundo - no dia 28 de maio, em São Paulo. Apenas uma data convencionada pelos homens, pois o ser humano continua vivo. Se Léo achou que não conseguiu salvar o mundo - o de fora - com certeza está ajudando a salvar o mundo de dentro de muita gente.



(Com excessão da foto de Leonilson, as obras apresentadas neste post foram fotografadas na própria exposição - era permitido.)

domingo, 15 de novembro de 2009

República alegórica

Nosso cotidiano é repleto de símbolos e alegorias. Abrimos os jornais e observamos nossos políticos serem representados por figuras carregadas de significados, como um porco, um marajá ou um burro. Atribuímos a profissão de padeiro aos portugueses. Os chineses e japoneses são donos de pastelaria e são muito inteligentes, enquanto teimamos em dizer que nossos irmãos lusitanos são "burros" (outra alegoria, representando a falta de inteligência)... Não precisamos trabalhar no dia 21 de abril ou no 15 de novembro, mas não lembramos por que; apenas agradecemos por não termos que aturar nosso insuportável cotidiano. No dia em que é lembrada a morte (por enforcamento e esquartejamento) de Tiradentes, fazemos um churrasco. Porém, lembramos do significado do 7 de setembro, pois levamos nosso filho para a principal avenida da cidade a fim de reuni-lo com seus colegas e professores da escola para celebrar a Independência numa passeata. E nos orgulhamos e tiramos fotos. Principalmente se nosso filho está carregando a bandeira nacional, símbolo enraizado em nossos corações, o qual também nos identifica em eventos mundiais, como a Copa do Mundo ou as Olimpíadas.
'O Malho', 12/11/1904Existe uma lista infindável de símbolos e alegorias que se encontram enraizados em nosso imaginário (como o hino e a bandeira nacional) ou que são apenas tentativas de formá-lo (como o feriado de 15 de novembro ou a ideia de que a justiça é cega). A Proclamação da República no Brasil é considerada um evento histórico muito controvertido, no qual houve uma verdadeira batalha entre ideologias republicanas pela legitimação do novo regime. Dentre as formas buscadas para essa legitimação, a elaboração de um imaginário social é parte integrante. Nessa elaboração, foi dada muita importância à expressão dos sentimentos republicanos através de símbolos, alegorias, rituais e mitos. Atingir o imaginário popular a fim de agregar-lhe valores republicanos era um dos principais objetivos dos envolvidos na citada batalha. Nesta empresa, além do problema das divergências entre as correntes ideológicas envolvidas, encontrava-se também o fato da República ter sido proclamada sem a participação popular. Daí a necessidade de se criar um imaginário social sobre a República. Não basta mostrar ou inventar a verdade, é necessário fazer com que o povo a ame, apoderando-se de sua imaginação, formando almas.

Na busca pelo entendimento da legitimação da República brasileira, o cientista político e historiador José Murilo de Carvalho, em sua obra “A Formação das Almas: o imaginário da República no Brasil”, concentra-se no tema da batalha pelo imaginário popular republicano.

No mundo moderno, a ideologia é o instrumento para a legitimação de regimes políticos. Mantendo sua tradição de exportador de matéria-prima e importador de manufaturados, ideias e instituições, no contexto histórico da proclamação da República brasileira havia três correntes ideológicas: o liberalismo à maneira norte-americana (prezava a individualidade), o jacobinismo à francesa (prezava o coletivo) e o positivismo (divididos entre os positivistas e os positivistas ortodoxos). Supunham modelos de república, de organização da sociedade, carregados de aspectos utópicos e visionários. Essas ideologias disputavam a definição da natureza do novo regime político brasileiro. Nessa batalha, cada uma delas, à sua maneira, defendia o envolvimento popular na vida política.
Dentre os três distintos modelos de república disponíveis aos brasileiros, o norte-americano e o positivista davam ênfase à organização do poder, enquanto o jacobinismo colocava a intervenção popular como fundamento do novo regime. Com exceção de poucos radicais, os vários grupos ideológicos acabavam dando ênfase ao Estado. A dificuldade brasileira, tanto com os modelos antigos quanto os modernos, foi a falta da existência anterior do sentimento de comunidade, de identidade coletiva, de pertencer a uma nação. Sem esse sentimento, negligencia-se o fato universal da diversidade e do conflito.

'A Proclamção da República', de Henrique BernadelliNessa busca pela criação de um imaginário sobre a República, os vencedores do 15 de novembro tentaram construir uma versão oficial dos fatos, ampliando ao máximo o papel dos atores principais e reduzindo ao mínimo a parte que coube ao acaso. Iniciava-se a batalha pelo estabelecimento do mito de origem. Nesta luta, o embate se dava entre os partidários de Deodoro, Benjamin Constant, Quintino Bocaiúva e Floriano Peixoto. A luta maior é pela qualificação de fundador, entre Deodoro e Benjamin Constant e se estende até hoje. Com a análise das tentativas de construção desse mito de origem, para o autor, pode-se descobrir as contradições que marcaram o início do regime, mesmo entre os que o promoveram: o mito da origem ficou inconcluso, assim como a República. Vistas essas divergências, nota-se a dificuldade em encontrar ou construir um herói para o novo regime. O tema do herói interessa ao autor por ser um instrumento eficaz para atingir a mente e o coração do povo. Heróis são símbolos poderosos, encarnações de ideias, pontos de referência para a identificação coletiva. No caso da República brasileira, a construção do herói pode servir também para compensar e preencher o vazio da participação civil em sua proclamação. O personagem que aos poucos se revelou capaz de atender às exigências do mito não estava presente no evento da proclamação: Tiradentes.
'Tiradentes', de Décio VillaresEsse patriota, em seus últimos dias na prisão antes da execução, transformou-se num místico por força dessa experiência traumática e da lavagem cerebral que sofreu pelos frades. Esse misticismo final não destruiu seu apelo patriótico. A coragem que demonstrou vinha do fervor religioso. Assumiu explicitamente a posição de mártir, identificou-se abertamente com Cristo. Tudo isso se encaixava perfeitamente no sentimento popular, marcado pela religiosidade cristã. Não dividia as pessoas ou as classes sociais. Ligava a República à Independência e indicava o caminho para a liberdade. Até os dias atuais, sua figura é utilizada por conservadores e liberais, por revolucionários e reacionários. Tanto pela esquerda quanto pela direita. O autor conclui que este é o segredo para a vitalidade desse herói: a ambiguidade.

'República', de Décio VillaresInteressou também ao autor a utilização da alegoria feminina no imaginário republicano francês, e sua tentativa de importação pelos brasileiros. A alegoria da Primeira República francesa inspira-se na tradição clássica da deusa Atena. Na Segunda República, a alegoria agora é apresentada como uma mulher amamentando duas crianças, retirando o aspecto belicoso anterior. No período que precedeu a Terceira República, com a luta contra Napoleão III, recuperou-se a antiga representação. Como reação, o governo incentivou o culto à Virgem Maria. Eis uma batalha de cultos.
'Alegoria da República', de Manoel Lopes RodriguesNa importação dessa alegoria pelo Brasil, o esforço inicial deveu-se aos cartunistas, os quais utilizaram o modelo clássico. Apesar disso, os pintores, excetuando-se os positivistas, praticamente ignoraram o simbolismo feminino para a República. No caso dos positivistas, a mulher poderia ser utilizada na representação da escala dos valores positivistas, fugindo da representação clássica e da identificação com a mulher brasileira. Porém, este problema de identificação da alegoria com as brasileiras foi resolvido de forma prejudicial para a República. O desapontamento quanto aos rumos que a república brasileira A alegoria da república francesa, junto à 'irmã mais nova' brasileiratomara foi expresso pelos caricaturistas, que passaram a utilizar a figura feminina para ridicularizar a República. Prostitutas e velhas cansadas, essas eram as alegorias que representavam o resultado da república no Brasil. A representação feminina que não obteve caráter pejorativo, que se identificou com o povo, foi promovida pelo governo: o culto à Virgem Maria, representado na imagem de Nossa Senhora Aparecida. Além das profundas raízes católicas, essa imagem é negra, identificando-se melhor com a mulher brasileira. A batalha por essa alegoria no Brasil terminou com a vitória do religioso sobre o cívico.

Parte-se agora para a discussão da formação dos símbolos nacionais mais evidentes e de uso obrigatório: a bandeira e o hino. A batalha decisiva agora se volta para a representação oficial da República. Os positivistas conseguiram o mais importante: a aceitação popular. Mantendo-se algumas características da antiga bandeira, era mantida também a tradição cultural e cívica da população. Além disso, anunciava um futuro próspero com a divisa 'A pátria', de Pedro Bruno“Ordem e Progresso”. Dessa forma, foi feita a ligação entre o passado, o presente e o futuro. No caso do hino, a vitória foi completamente da tradição. O hino composto por Francisco Manuel da Silva já se enraizara na tradição popular, tornando-se um símbolo da nação. O autor conclui que a República só teve êxito quando se voltou às tradições mais profundas, mesmo algumas sendo alheias às suas características.

Assim, José Murilo de Carvalho analisou as diversas formas e meios para a criação de símbolos, alegorias e rituais que visavam legitimar a República. Para tanto, precisou ir além da historiografia e dos documentos oficiais, utilizando-se de periódicos, registros de depoimentos, pinturas e esculturas, analisando-os de forma a conceber a visão de mundo das diferentes classes sociais e ideológicas, compreendendo a visão geral daquela época, contribuindo na compreensão da atual. Como a maioria das ideias e símbolos utilizados é importada, o autor buscou explicar historicamente a formação destes em seus países de origem, dando ênfase ao positivismo; isso se deveu à habilidade dos positivistas em articular símbolos, elemento interessante ao autor em sua proposta. Particularmente, apreciei as análises sobre as pinturas, caricaturas e esculturas, nas quais cada detalhe é carregado de significado. Conclui-se, portanto, que os esforços das correntes ideológicas republicanas falharam na sua tentativa de criar um imaginário sobre a República. A ausência popular na proclamação criou uma grande barreira para a legitimação do novo regime, o qual obteve êxito apenas quando se voltou à tradição religiosa e imperial. Após essa contribuição do autor, pode-se entender melhor o fato de não lembrarmos porque não precisamos trabalhar no dia 15 de novembro e por que já nascemos amando a bandeira nacional, como se ela já existisse por si mesma. Porém, um mito, mesmo quando muito forte, deve ser constantemente alimentado. Enquanto somos crianças em idade escolar, nossa professora nos lembra todo ano da importância de Tiradentes, e confundimos sua figura quando ela nos diz que ele morreu por nós; contudo, quando crescemos, esquecemos por que existe o feriado de 21 de abril, pois ninguém nos lembra de seu significado. E fazemos um churrasco.

Referência bibliográfica:
CARVALHO, José Murilo de. A Formação das Almas: o imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.