Mostrando postagens com marcador quadrinhos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador quadrinhos. Mostrar todas as postagens

sábado, 29 de outubro de 2011

A construção de valores e a dimensão afetiva

Essas informações baseiam-se na video-aula da Profª Viviane Pinheiro (USP), para o curso de pós-graduação semi-presencial "Ética, valores e cidadania na escola" (EVC - USP/Univesp).
 
É bastante conhecida a teoria de Piaget que considera a afetividade como “fonte de energia” para a cognição, concepção que já foi superada (não ignorada) pelo conceito de que a afetividade é um dos aspectos organizacionais do psiquismo humano, considerando o aspecto cognitivo tão relevante quanto o afetivo.

Assim, tais aspectos não podem ser deixados de lado no âmbito escolar. A prática que estimula os vínculos afetivos deve tomar o lugar, por exemplo, do antigo costume de separar amigos porque conversam demais, justificando trazer benefícios para a turma e para os próprios alunos separados. Uma escola que educa em valores lidaria com a situação procurando os benefícios de tal amizade, com trabalhos cooperativos que valorizem os vínculos, disciplinando-os de forma ética e consciente.
O respeito à diversidade também se torna essencial na contemporaneidade, na forma heterogênea que se apresentam as turmas na sala de aula. Dentre os valores morais, a tolerância é de extrema importância para o bom convívio dos alunos, numa escola que os prepara para a vida em sociedade.
Assim, a promoção de um ambiente mais saudável e feliz, em que os sentimentos positivos levam à resolução de conflitos morais, constrói um mundo mais justo e solidário.

Fonte: Cambitolândia

Eduardo Carvalho
Pólo de Praia Grande

Projetos

Este texto baseia-se na vídeo-aula do Prof. Nilson Machado para o curso de pós-graduação semi-presencial "Ética, valores e cidadania na escola" (EVC - USP/Univesp).

O próprio conceito de Educação nos remete a outro: a ação. Dentre as muitas definições dispostas pelo dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, aqui é possível selecionar as acepções "capacidade, possibilidade de executar alguma coisa" e "disposição para agir; atividade, energia, movimento", além da rubrica "atividade prática, concreta, que intervém no real em contraste à passividade de uma atitude puramente especulativa ou teórica" (filosofia).
A consciência de expansão do ensino à ação leva ao desenvolvimento de projetos, e como tais devem estabelecer metas e objetivos, visando a antecipação das ações (futuro). Além disso, deve-se estar ciente da abertura necessária e que o processo criativo oferece riscos. Dessa forma, a ação deve pertencer ao sujeito, sendo que a coação para tal é impossível.
Projetos, na maioria das vezes, surgem de sonhos, ilusões, utopias e esperanças, necessárias à sua realização, mas que devem ser reguladas por um planejamento, ações concretas e a definição e constante revisão da trajetória.
No caso específico da Educação, tanto os projetos para curto, longo prazo e expectativas para o futuro devem levam em conta seu conteúdo em valores, por exemplo, no que diz respeito a metas que valem para os objetivos éticos/morais, e mesmo dentre elas existem as metas que valem mais ou menos para tais objetivos. Além disso, na realidade escolar os projetos devem perceber o que deve ser cultivado e o que deve ser combatido, e mesmo o que precisa ser conservado e o que necessita ser transformado.

Fonte: Cambitolândia
Eduardo Carvalho
Pólo de Praia Grande

Perspectivas atuais das pesquisas em Psicologia moral

Essas informações baseiam-se na video-aula da Profª Viviane Pinheiro (USP), para o curso de pós-graduação semi-presencial "Ética, valores e cidadania na escola" (EVC - USP/Univesp).
  
Apesar da Psicologia ser considerada uma ciência recente, a Ciência inerente ao ser humano passa por constantes questionamentos e atualizações. Dessa forma, a Profª Viviane Pinheiro (USP) aponta algumas das recentes perspectivas da Psicologia, no campo da moral e da ética, que podem ser vinculados à Educação em valores.

Dentre estas, defende-se que os sujeitos têm papel ativo na construção de valores, ou seja, não somos apenas seres heterônomos que apenas seguem regras impostas exteriormente; devemos desenvolver nossa autonomia e consciência ética, a serem conquistadas através de uma educação moral reflexiva (compreensão e internalização das regras sociais) e metodologias ativas de aprendizagem (construção dos conhecimentos).
Independente da cultura a qual se pertence, hoje é conhecido que os valores podem ser morais ou não, sendo que a moralidade não se guia apenas pelo princípio da justiça: o próprio papel ativo do sujeito permite que se atribuam valores a algo que não seja seja considerado moral. Esta perspectiva pode ser melhor esclarecida por uma outra, a que considera que os valores vão se constituindo como centrais e/ou periféricos no sistema moral do sujeito, ou seja, o que é considerado como mais importante (central) não pode sofrer interferência e sobrepõe-se a outros valores que são tidos como de menor relevância, lembrando sempre que estes valores não estão numa lista pré-definida, mas dependem de cada sujeito. Dessa forma, na escola torna-se importante trabalhar com diversos valores, não apenas com regras e deveres que devem ser cumpridos pelos alunos e alunas.
Ainda na questão dos valores centrais e periféricos, não se pode deixar de levar em consideração a importância das situações (contexto), que são vivenciadas pelo sujeito, para a construção desses valores. Assim, os conteúdos do meio ao qual pertence o sujeito interferem na definição do que é primordial ou não: os valores integram-se e vão se organizando no sistema moral do sujeito de forma hierárquica. Além disso, muitas vezes percebe-se que as posições central/periférico se invertem, dependendo da situação ou do ambiente social. Tornando o trabalho dos educadores ainda mais complexo, essas perspectivas apontam que elaborar sequências didáticas e projetos voltados para a construção de valores pelos educandos necessitam ser vivenciadas em diversas situações, para permitir a elaboração e construção dos valores na forma de cada indivíduo.
Finaizando, existe também o conhecimento de que há  uma regulação dos valores pelos sentimentos, e dentro das diferentes modalidades didáticas, deve-se incluir a explicitação dos sentimentos para melhor compreensão da forma como interferem nessa complexa construção dos valores, e como estes também regulam o sistema moral do sujeito.


Eduardo Carvalho
Pólo de Praia Grande

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Ciência e Educação

Esta postagem baseia-se na vídeo-aula do Prof. Luis Carlos Menezes (USP), para o curso de pós-graduação semi-presencial "Ética, valores e cidadania na escola" (EVC).

Para melhor compreensão deste texto, substituo o título por "Educação é ciência", assim como todas as outras disciplinas contidas no currículo da maioria das escolas.

Considerando a ciência como linguagem, as práticas educativas tornam-se muito mais elucidativas quando temos uma compreensão prévia de termos como "pré-silábico", "silábico com valor nas vogais", "alfabético", "educação digital", "temas transversais", entre outros que são utilizados cotidianamente, e que seu desconhecimento geram a mesma dificuldade de não se compreender a previsão do tempo por não se conhecer o signficado de "frente fria" ou "massa polar".
Esses conhecimentos tornam a ciência da Educação um instrumental prático, pois apesar de toda a incredulidade que ronda as teorias pedagógicas, seus estudos esclarecem situações e fornecem pré-requisitos para a solução de problemas e estimulam a criatividade, já que não se faz necessário adquirir absolutamente todos os conhecimentos de forma empírica. Conhecer, por exemplo, os procedimentos para realizar um projeto na escola com o suporte de bibliografias - em vez de apenas depender da prática e correr o risco de cometer erros primários - torna-se tão útil quanto saber que comer dez paçoquinhas ultrapassam as necessidades diárias de gordura e não vão satisfazer todas as necessidades diárias de nutrientes, apesar da fome estar saciada momentaneamente.
Finalmente, a Educação enquanto saber científico traz uma visão de mundo mais clara quando há a consciência de que os saberes construídos pelo currículo de forma interdisciplinar - e não isolada - estimulam o raciocínio, a criticidade e as ações de transformação da realidade. Tudo isso porque torna-se possível a compreensão do mundo em sua esfera sócio-político-econonômico-cultural (a lista é grande!) para então protagonizar mudanças; da mesma forma que se compreende por que o celular usa ondas eletromagnéticas e o controle remoto da TV trabalha com raios infravermelhos, por uma questão de necessidade em se evitar interferências.


Ciência em Educação não é apenas um componente curricular e, portanto, a questão principal - e mais complicada - seria que a Educação deve ser tratada como ciência e, dessa forma, sua prática não pode ser feita através da pura transmissão de informações, mas sim permitindo que cada aluno construa seu currículo de forma interdisciplinar, interativa, autônoma e com incentivo ao protagonismo.

Eduardo Carvalho
Pólo de Praia Grande

domingo, 23 de outubro de 2011

Educação e Ética

Esta postagem é baseada na vídeo-aula ministrada pela Profª Carlota Boto (USP), para o curso de pós-graduação semi-presencial "Ética, valores e cidadania na escola" (EVC). Outras informações foram acrescentadas ao debate.

Na linha do tempo de nossa vida, a escolarização pode ser considerada como uma travessia, pois o período que passamos na escola é uma transição entre a vida em família (sociabilidade primeira) e a vida em sociedade (na qual exercemos a cidadania). Por definição não tão recente, o espaço escolar deve oferecer condições para o desenvolvimento do comportamento moral (através de regras e formas de agir socialmente recomendadas, externas à opção individual), mas também para a construção de conceitos éticos (amadurecendo para um comportamento escolhido, com adesão voluntária a um conjunto de regras de ação).

Os conceitos de moral e ética muitas vezes se confundem, mas ambos têm origem comum e definem nosso comportamento, de acordo com o nível de autonomia desenvolvido. Para esclarecer esses pontos e conectá-los à vida, recorrerei ao filósofo Immanuel KANT, o qual teoriza que o ato moral é aquele que se realiza como acordo entre a vontade e as leis consideradas universais. Lembrando de que a vontade define para si mesma tais leis.
Para exprimir a incondicionalidade dos atos realizados por dever, Kant definiu três máximas morais do imperativo categórico (uma lei moral interior):
1. Age como se a máxima de tua ação devesse ser erigida por tua vontade em lei universal da Natureza: afirma a universalidade da conduta ética, isto é, aquilo que todo e qualquer ser humano racional deve fazer como se fosse uma lei inquestionável, válida para todos em todo tempo e lugar;
2. Age de tal maneira que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de outrem, sempre como um fim e nunca como um meio: afirma a dignidade dos seres humanos como pessoas, negando a violência contra si mesmo e contra outros;
3. Age como se máxima de tua ação devesse servir de lei universal para todos os seres racionais: afirma que a vontade que age por dever institui um reino humano de seres dotados de autonomia; essa máxima exprime a diferença entre a Natureza e o ser humano racional
Assim, ao agir - e educar - devemos verificar se nossa ação está em conformidade com os fins aqui considerados morais, ou seja, com as máximas. Dessa forma, Kant procura explicar por que o dever e a liberdade da consciência moral são inseparáveis e compatíveis. Sua solução consiste em localizar o dever no interior da pessoa, desfazendo a impressão de que ele seria imposto por uma vontade exterior.


Ademais, essas máximas vão de encontro a outra atitude que deve ser cultivada no espaço escolar: a tolerância, conquistada através da confiança na racionalidade, na razoabilidade e no direito do outro, ou seja, o respeito e a solidariedade. A convivência escolar permite que a educação seja uma instância privilegiada para se evitar e corrigir práticas de intolerância.

Eduardo Carvalho
Pólo de Praia Grande

Referências bibliográficas:
ARANHA, Maria L. de Arruda. MARTINS, Maria H. Pires. Filosofando: Introdução à Filosofia. SP: Moderna, 2003.
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. SP: Ática, 2001.


sábado, 22 de outubro de 2011

O juízo moral da criança

Esta postagem é baseada na vídeo-aula ministrada pelo Prof. Ulisses Araújo (USP), para o curso de pós-graduação semi-presencial "Ética, valores e cidadania na escola" (EVC). As informações do vídeo utilizam como referência a obra de Jean Piaget. Assim como nos outros textos deste blog, acrescentei mais dados para complementar o debate.

Para a Filosofia, o senso moral refere-se a valores (justiça, honradez, espírito de sacrifício, integridade, generosidade), sentimentos provocados pelos valores (admiração, vergonha, culpa, remorso, contentamento, cólera, amor, dúvida, medo) e ações com consequências para si próprio e para os outros.
Em situações onde precisamos julgar e contrabalançar nossos valores (geralmente são situações dramáticas, de extrema aflição e angústia), dúvidas quanto à decisão a tomar são levantadas. Essas dúvidas põem à prova nossa consciência moral, pois exigem que decidamos o que fazer, que justifiquemos para nós mesmos e para os outros as razões de nossas decisões e que assumamos todas as suas consequências, porque somos responsáveis por nossas escolhas.
O senso e a consciência moral referem-se a sentimentos, intenções, decisões e ações originados de opções entre o bom e o mau ou entre o bem e o mal, os quais, por sua vez, referem-se ao nosso desejo de afastar a dor e o sofrimento, alcançando a felicidade.
O senso e a consciência moral dizem respeito às relações que mantemos com os outros e, portanto, nascem e existem como parte de nossa vida social.

De acordo com Piaget, “toda moral consiste num sistema de regras, e a essência de toda moralidade deve ser procurada no respeito que o indivíduo adquire por essas regras". Assim, a pessoa “moral” é aquela que cumpre as regras (formais ou não-formais) da sociedade. Para tanto, é necessário internalizar o respeito às normas da coletividade, num processo que se inicia na anomia, passando pela heteronomia, evoluindo para a autonomia.
A anomia é o estágio em que qualquer indivíduo inicia sua vida social. Desde o nascimento, somos egocêntricos e nossas vontades/necessidades devem ser saciadas de imediato. Com o tempo e o amadurecimento, caminhamos para a heteronomia, a qual se desenvolve a partir da coação e do respeito unilateral, quando cumprimos normas que foram impostas externamente.
Geralmente, não notamos a origem cultural dos valores éticos, do senso moral e da consciência moral (ou seja, a existência moral) porque somos educados em meio a eles, como se fossem eventos naturais, existentes independentemente da ação humana. A naturalização dos padrões morais de uma sociedade garante sua manutenção através do tempo. Dessa forma, oculta-se que a existência moral é uma criação histórico-cultural. A crianças que participam de sociedades que agem dessa forma estagnam-se no estágio da heteronomia, enquanto as que são estimuladas às práticas de cooperação e respeito mútuo têm muito mais chances de evoluírem sua autonomia, através da qual cumprem as normas porque as compreendem como importantes para a vida social, além de desenvolverem a capacidade de criar suas próprias regras de conduta visando (conscientemente ou não) a constante redução do egocentrismo.

Calvin & Hobbes - Bill Watterson

Eduardo Carvalho
Pólo de Praia Grande

segunda-feira, 7 de março de 2011

Feedback post for a dying writer

Ok, já faz mais de um ano que não publico postagens. Será que ainda é possível manter esse blog? Espero que sim...
Quem conhece um pouco mais de Legião Urbana pôde compreender o título desta postagem. A resposta é para mim mesmo, assim como o referido escritor. Já passou da hora de tentar novamente.

Ilustrando, publico uma das tiras de Bill Waterson, Calvin & Hobbes, absolutamente minhas preferidas devido à extraordinária inconsequência de Calvin, muitas vezes questionada por seu amigo imaginário (ou voz da consciência) Haroldo. Ainda não sei com qual me identifico, talvez dependa do momento.

Mas a cena dos dois atravessando esse rio já diz tudo...

Abraços a todos!

sábado, 29 de agosto de 2009

Quadrinhos de História, história em quadrinhos

Qualquer sala de aula de qualquer nível de ensino possui seus artistas, que sempre nos divertem com caricaturas de professores e colegas, charges de situações cotidianas, e que sempre conseguem impressionar os mestres com um desenho mais elaborado daquele assunto de Biologia ou Geografia, ou mesmo de um personagem ou evento histórico.

Pois então, dois historiadores formados pela USP resolveram levar pra frente essas brincadeiras, criando personagens e elaborando uma revista em quadrinhos sobre o assunto mais passível de interpretação e - por que não? - humor: a História.

No site Quadrinhos de História encontramos personagens curiosos, como o monge que odeia copiar, Abelardo e seu amigo rato de biblioteca Aquino, ou o diabo - e devoto de Jesus - Asmodeu e até o projetista francês Gustave (ele mesmo, o Eiffel): que nos fazem rir e refletir sobre as diversas interpretações da História.

A iniciativa de Rafael Cesar Scabin e Glaumer Bernardino Alves nos subsidiam de material para tornar as aulas e atividades de História mais interessantes e divertidas para os alunos. Por que não incrementar uma prova sobre a Igreja medieval com uma tirinha de Abelardo com preguiça de copiar uma "grande" obra de Aristóteles; ou uma atividade reflexiva sobre a Abolição, na qual podemos pensar sobre os motivos que levaram a princesa a assiná-la; e que tal discutir a imagem construída sobre Tiradentes com uma charge que faz a acusação maior de plágio a Jesus Cristo?

No site, tem-se acesso a todo esse material on-line, e também há as instruções para comprar a revista impressa. Parabéns aos autores!