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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Stress, ansiedade e depressão na infância e adolescência

Informações baseadas nas vídeo-aulas da Profª Paula Fernandes (Unicamp), para o curso de Especialização "Ética, valores e cidadania na escola" (EVC - USP/Univesp).

Atualmente, as pessoas recebem cada vez mais estímulos oriundos de diversas fontes por todo o planeta, entrando em nossas casas, em nossa vida. Considerando que tais estímulos podem ser positivos ou negativos, atrelados à visão de mundo de cada um, torna-se tarefa ainda mais difícil orientar nossos alunos, principalmente para que tirem o melhor de suas capacidades e sejam felizes, ajudando-os a não se tornarem crianças, adolescentes ou adultos ansiosos e estressados.
Das doenças em evidência no mundo contemporâneo, o stress e a ansiedade são reações do organismo diante de situações difíceis ou excitantes. Em qualquer pessoa, durante períodos de stress e ansiedade, o equilíbrio é afetado e cada órgão passa a trabalhar em ritmo diferente dos demais. Dependendo da duração dos sintomas e da interpretação dos estímulos, há a quebra da harmonia interior e enfraquecimento do organismo, gerando outros sintomas e doenças.
Especificando, a ansiedade define-se por características biológicas e psicológicas que antecedem os momentos de perigo (real ou imaginário), marcada por sensações corporais incômodas, por exemplo, vazio no estômago, taquicardia, sudorese, medo intenso, aperto no peito, rubor, calafrios, confusão. Ansiedade nem sempre é ruim, pode servir de estímulo, mas não pode ocorrer de forma prolongada ou exagerada.
Toda criança da atualidade enfrenta várias situações de stress ainda nos primeiros anos de vida (acidentes, doenças, hospitalizações, nascimento de irmãos, mudanças de casa, de escola, além das tensões geradas pela necessidade sempre maior de autocontrole). O stress infantil pode ser causado por fatores internos, relacionados às características de personalidade, pensamentos e atitudes da criança diante das situações da vida diária. Tais fatores dependem da maneira que ela percebe a si mesma e ao mundo à sua volta. Externamente, o stress pode acontecer devido a mudanças significativas, responsabilidades e atividades em excesso. Quando a ansiedade e  stress não são tratados, podem gerar outros quadros de patologias.
Diante dessa conjuntura, o professor deve estar atento, procurando conhecer e conversar com seus alunos, motivando-os e incentivando-os a fazerem perguntas, escutá-los sem fazer críticas ou julgamentos, respeitando o ritmo de cada um. Promover a autoconfiança, atividades em grupo e, quando surgir a oportunidade, atividades calmas podem colaborar na saúde da criança para que ela consiga enfrentar as mudanças que ocorrem em sua vida, com desenvolvimento mais saudável na escola, em casa, no esporte, no lazer.

Também presente entre crianças e adolescentes, a depressão é um transtorno de humor ou de afeto, com sentimento de tristeza profunda, associado a sintomas fisiológicos e cognitivos na pessoa, que demonstra humor deprimido, perda de interesse e prazer por atividades anteriormente satisfatórias, diminuição de energia, falta de ânimo.
Na escola, é possível perceber os alunos quando apresentam vários sintomas, como queda do rendimento escolar, falta de concentração, perda de interesse, falta de motivação, pensamento mais lento, impulsividade, irritabilidade, choro fácil, isolamento na sala de aula e nos intervalos, dificuldades nos processos cognitivos.
Para prevenir esses males, é necessário fortalecer as condições que garantam a busca por ajuda em todos os contextos (família, trabalho, escola, comunidade etc.).

Calvin & Hobbes, de Bill Watterson, 22.10.1992.

Eduardo Carvalho
Pólo de Praia Grande

Substâncias psicoativas, mídia e comportamento

Informações baseadas nas vídeo-aulas do Prof. Li Li Min (Unicamp), para o curso de Especialização "Ética, valores e cidadania na escola" (EVC - USP/Univesp).

A Profª Renata Azevedo (Unicamp) define como psicoativas as substâncias que agem no sistema nervoso central e produzem alterações de percepção, de sentimentos, de sensações e que são percebidas como prazerosas pelas pessoas que a usam.
Do ponto de vista legal, tais substâncias são classificadas como ilícitas e lícitas (mas que também sofrem restrições) e se diferenciam também pelas formas de agir no cérebro e tipos de alterações que produzem: quando são buscadas, as pessoas desejam um tipo de efeito específico, como diminuição da ansiedade, relaxamento, desinibição, alegria e experiências alucinógenas. No caso dos adolescentes, geralmente o padrão de uso é anárquico, por vezes misturando substâncias diferentes, aumentando o potencial dos danos causados.
Cigarro, de Roberto Weigand
 O uso das substâncias psicoativas tem componentes ambientais, sociais, genéticos e neurobiológicos, com consequências individuais e coletivas: problemas de relacionamento, baixo desempenho escolar, dificuldade de manutenção das atividades diárias, conflitos familiares, ocupacionais, acidentes de trânsitos, enfermidades etc.
Nos últimos anos, o consumo dessas substâncias vem aumentando progressivamente, e têm sido experimentadas em idades mais precoces. Na adolescência, a curiosidade por novas experiências necessita de constantes orientações pela família e professores, assim como da coerência dos adultos em relação aos padrões de consumo e conceitos de diversão. Os jovens com quadro de baixa auto-estima, desempenho insatisfatório na escola, má aceitação da própria aparência, socialização negativa, entre outros fatores, apresentam maior vulnerabilidade ao uso de substâncias psicoativas.

No caso da citada socialização, a Profª Lilia Freire de Souza (Unicamp) a explica como o processo através do qual o ser humano interioriza valores, crenças, atitudes e normas de conduta que são próprios de seu grupo social ou sociedade, incorporando-os à personalidade. Pelo seu acesso universal, sem deslocamento e pela sua eficiência, a mídia constitui um importante meio de socialização: retrata modelos de conduta de uma determinada maneira, seleciona informações e conhecimentos, fornece estímulos.
As crianças são facilmente influenciadas pela mídia: aprendem por observação, imitação e pelas suas próprias atitudes. Comportamentos agressivos são aprendidos pela reprodução dos modelos observados e as crianças de faixa etária menor não diferenciam entre fantasia e realidade, tornando-se muito vulneráveis.
O excesso de contato com a mídia pode causar impactos negativos, no que diz respeito ao desenvolvimento psicomotor e da sexualidade, exposição à violência, transtornos alimentares, problemas escolares e má influência no uso de substâncias psicoativas, principalmente no que se refere às propagandas de bebidas alcoólicas de apelo sexual. Além disso, há o efeito da mídia como substitutivo de outras atividades: menos atividade física, menor gasto energético com maior obesidade, diminuição da leitura e da interação com os amigos.
Assim, é também papel da escola privilegiar os conceitos de mídia em seu currículo, buscando a conscientização para o contato saudável com tais meios, de forma a aprimorar a identidade e o senso crítico.

Eduardo Carvalho
Pólo de Praia Grande

Violência na escola e bullying

Informações baseadas nas vídeo-aulas do Prof. Li Li Min e da Profª Paula Fernandes (Unicamp), para o curso de Especialização "Ética, valores e cidadania na escola" (EVC - USP/Univesp).
 
A Profª Lilia Freire de Souza (Unicamp) relaciona a violência na escola a problemas psicológicos e comportamentais na adolescência, que podem ser manifestados internamente por meio de perturbações emocionais e cognitivas, como depressão e ansiedade, e externalizados em problemas comportamentais ou de atuação, sendo o mais comum o comportamento delinquente.
Esse distúrbio de conduta é um transtorno caracterizado por um padrão de comportamento anti-social repetitivo e persistente em crianças e adolescentes. Às vezes é classificado como psicosocial ou como psicopatológico, inclui a desobediência, brigas, destrutibilidade, mentira e furto.
A agressão física na infância deve ser vista como um problema de saúde pública, pois crianças agressivas são de grande risco em se tornar adolescentes e adultos violentos. Além disso, a agressão física é precursora de problemas mentais na vítima e também no agressor (abuso de álcool e drogas, acidentes, crimes violentos, tentativas de suicídio, relações abusivas e paternidade negligente e abusiva).
Os fatores de risco para distúrbios de conduta e delinquência são individuais (características biológicas, comportamentais e cognitivas do indivíduo) e contextuais (familiares e sociais), quando não há disciplina e limites no núcleo familiar ou o indivíduo pertence famílias disfuncionais ou com doenças mentais nos pais, além dos riscos sociais que podem afetar a criança. Vários fatores de risco de forma cumulativa resultam em sofrimento físico e emocional, levando à delinquência juvenil.
Práticas parentais inadequadas e exposição repetitiva à violência são causas que promovem a violência a longo prazo, bem como o consumo de álcool e drogas e inserção em gangs são consideradas causas a curto prazo. No ambiente escolar, a violência está associada a fatores como desempenho insatisfatório, baixa auto-estima, muitas mudanças de escola, população escolar com alto uso de drogas, entre outros.

Das formas de violência escolar, atualmente o bullying é a que está sendo tratada de forma mais abrangente. Sobre este assunto, uma postagem deste blog, O fenômeno do Bullying, também escrita para o curso de Especialização "Ética, valores e cidadania na escola" (USP/Univesp), trata dos pontos principais deste comportamento.
Entretanto, é sempre importante reforçar que a identificação precoce, informação e conscientização, encaminhamento clínico ou terapêutico e programas anti-bullying, com orientação aos pais, professores e alunos sobre estratégias de lidar com o problema e medidas de controle de comportamento, podem contribuir na diminuição deste fenômeno e tornar o ambiente mais agradável, seguro e acolhedor.

Eduardo Carvalho
Pólo de Praia Grande

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Sexualidade e prevenção de risco na escola

Informações baseadas nas vídeo-aulas do Prof. Li Li Min (Unicamp), para o curso de Especialização "Ética, valores e cidadania na escola" (EVC - USP/Univesp).

De acordo com as informações fornecidas pela Profª Marici Brás (Unicamp), a abordagem da sexualidade encontra dificuldades nos preconceitos, tabus e no pudor que envolvem o tema. Entretanto, a Educação sexual é importante, por exemplo, na prevenção de DSTs e gravidez e abortos em adolescentes.
Para tanto, deve-se considerar que a sexualidade existe desde o nascimento, e no desenvolvimento do indivíduo as diferentes zonas corporais proporcionam gratificações de prazer em etapas: a fase oral, a fase anal, a fase fálica ou genital infantil, a fase de latência e fase genital adulta.
A adolescência é um período de luto pela perda do corpo, figura dos pais e identidade relacionados à infância. Durante seu início, ocorrem as transformações físicas e fisiológicas, a imagem corporal torna-se questão central e são redefinidos os modelos de relacionamento. A segunda fase define-se pelas últimas transformações físicas e assimilação harmoniosa do papel pessoal, familiar e social, além do conflito entre desejo de independência e necessidade de dependência. Em sua fase final, a consolidação da última etapa do desenvolvimento físico, a formação da identidade sexual e de adulto, as experiências de relacionamento íntimo e alcance da independência material.
Nesta faixa etária, também se iniciam as práticas sexuais: masturbação, "ficar", namorar, relações sexuais propriamente ditas, questões sobre homossexualismo e casos de relação sexual forçada.
De forma positiva ou não, a iniciação sexual é considerada um rito de passagem entre infância, adolescência e juventude; e o exercício da sexualidade se faz em um meio delimitado por preconceitos e rituais.

Assim, a Profª Marici, junto à Profª Lilia Freire Souza (Unicamp), discutem questões sobre a polêmica possibilidade de distribuição de preservativos nas escolas que, se feita de forma a respeitar a intimidade de cada estudante, recebe muitos adeptos, na mesma proporção de pessoas que discordam da ideia.
De qualquer forma, o uso de preservativos deve ser abordado na escola, utilizando a sexualidade como tema transversal, através de dinâmicas de grupo. Abrir este espaço permitirá discutir, por exemplos, uso ou não do preservativo relacionado ao afeto e à fidelidade, a dupla proteção com anticoncepcionais, a gravidez na adolescência e a responsabilidade compartilhada na relação e na prevenção sexual entre o casal.

Eduardo Carvalho
Pólo de Praia Grande

TDAH e Autismo

Informações retiradas das vídeo-aulas da Profª Paula Fernandes (Unicamp), para o curso de Especialização "Ética, valores e cidadania na escola" (EVC - USP/Univesp).

O Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é comportamental e neurobiológico, de causas genéticas e ambientais, que aparece na infância e pode acompanhar a pessoa por toda a vida. É caracterizado pela tríade sintomatológica: desatenção, hiperatividade, impulsividade. Causa prejuízos no desempenho acadêmico e em relacionamentos interpessoais.
No que se refere aos sintomas da desatenção, percebe-se que a criança tem dificuldade de prestar atenção a detalhes, facilmente distraída com estímulos alheios. Por vezes passa a impressão de que não escuta quando falam com ela e não segue instruções. Tem dificuldade de organização, não termina suas terefas, comete erros por descuido e perde coisas importantes. Sobre a hiperatividade, resulta na criança não conseguir envolver-se em atividades silenciosas, estar sempre muito ativa, agitando mãos e pés ou se remexendo na cadeira; apresenta dificuldade de permanecer sentada, corre exageradamente ou fala demais. Já a criança impulsiva dá respostas precipitadas a perguntas não terminadas, tem dificuldade de aguardar sua vez e interrompe ou se intromete em conversas alheias.
Muitas vezes esses comportamentos passam despercebidos pelos pais e, portanto, aqui está mais uma das exigências da sociedade em relação ao papel da escola.
Para o professor não diagnosticar, mas sim perceber o aluno com sintomas de TDAH, estes são mais evidentes quando há alteração nas habilidades linguísticas do aluno, que também pode apresentar falta de noção de espaço e dificuldade de reconhecer e diferenciar símbolos gráficos, bem como não conseguir ficar sentado e prestar atenção. Há que se notar também se existe pouca coordenação motora e tendência em estar sempre em movimento, provocando dificuldade em terminar as tarefas propostas.
Entretanto, o diagnóstico do TDAH deve ser clínico (avaliação com a criança, pais e escola), com posterior tratamento multidisciplinar e específico: medicações, psicoterapia, envolvimento da família e da escola. Nestes casos, as possibilidades de intervenção escolar compõem-se em ajudar a criança, a família e os professores a compreender os sintomas e os prejuízo do TDAH, desfazer rótulos prévios, melhorar a auto estima do aluno, criar um calendário diário de atividades, prestar reconhecimento e elogios, entre outras ações que possam interferir positivamente nessas crianças.

No caso do Autismo, define-se como um transtorno invasivo do desenvolvimento, com prejuízo na interação social, atraso na aquisição da linguagem e comportamentos estereotipados e repetitivos. Pode ser identificado com 2 anos e meio de idade quando se percebe que a criança não fala, resiste aos cuidados paternos e não interage, ou mesmo quando ainda bebês apresentam déficit no comportamento social, evitam contato visual, sem interesse na voz humana e mostram-se indiferentes ao afeto. Outros fatores de identificação são a criança não seguir os pais pela casa e não ter interesse em brincar com seus pares.
Em geral, elas têm interesse por brincadeiras estereotipadas: movimento da roda, cheirar e lamber objetos, bater palmas e movimentar o corpo para frente e para trás, com fascinação por luzes, sons e movimentos, além de incomodarem-se com mudanças na sua rotina diária e ter a inteligência e a linguagem comprometidas.
Essas características podem ajudar a identificar alunos autistas na escola, também pela percepção de ataques de raiva numa mudança de rotina e resistência em aprender novas atividades. Tais crianças necessitam de tratamento individualizado e intervenções conjuntas, como educação especial na escola, aconselhamento de pais, terapia comportamental, treino de habilidades sociais, medicações para melhorar a qualidade de vida e a adaptação.

Eduardo Carvalho
Pólo de Praia Grande

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Crescimento, desenvolvimento ponderal e distúrbios alimentares

Informações baseadas nas vídeo-aulas do Prof. Li Li Min e da Profª Paula Fernandes (Unicamp), para o curso de Especialização "Ética, valores e cidadania na escola" (EVC - USP/Univesp).

De acordo com as informações fornecidas pela Profª Lilia de Souza Li (Unicamp), o crescimento corporal de cada indivíduo é variável, como resultado da maturação óssea e perpassa três períodos: a primeira infância (até os 3 anos de idade), a segunda infância (de 4 a 8 anos) e a puberdade (dos 9 aos 17).
Até os 3 anos de idade, a criança cresce progressivamente menos centímetros por ano, passando por um período de crescimento mais estável entre 5 e 10 anos, seguido por um segundo período de desaceleração até o início da puberdade, quando ocorre o estirão puberal e o(a) adolescente desenvolve-se com mais intensidade.
Para acompanhar o crescimento, fazem-se úteis os gráficos de crescimento (que comparam a altura da criança com a altura da população como um todo), além da necessidade de avaliar estatura e peso com o Índice de Massa Corporal (IMC) e da observação da idade de início de caracteres sexuais secundários.
O crescimento é influenciado (positiva ou negativamente) por atividades físicas, pelo sono profundo (quando o GH, hormônio do crescimento, é liberado), por doenças crônicas e pela nutrição, da qual faz parte a alimentação que recebe nos horários escolares.

Dessa forma, a estatura final do indivíduo é definida por fatores genéticos e ambientais, e nestas duas esferas encontram-se também os distúrbios alimentares.
Fonte: Portal São Francisco
A alimentação é importante para nossa saúde, e deve ser equilibrada, completa, variada. Assim, os distúrbios alimentares definem-se pela interação de fatores psicológicos, biológicos, familiares e socioculturais, gerando alterações significativas no comportamento alimentar.
Os principais problemas dessa natureza são a obesidade, a anorexia e a bulimia nervosas. A psicopatologia central das duas últimas advém da preocupação excessiva com o peso e a forma corporal (medo mórbido de engordar), numa auto-avaliação baseada na aparência física, com a qual as adolescentes se mostram sempre insatisfeitas, fazendo dietas extremamente restritivas ou gerando um descontrole no comportamento alimentar e, em diversos casos, faz-se uso de métodos inapropriados para alcançar o corpo idealizado.
Já a obesidade é um distúrbio do metabolismo energético, onde ocorre um armazenamento excessivo de energia no tecido adiposo, sob a forma de triglicérides. É uma doença complexa, multifatorial, com sobreposição de fatores genéticos, comportamentais e ambientais.

Prato com a alimentação essencial e saudável,
conforme proposta traduzida do site Choose My Plate
Dentre as diversas exigências da Educação contemporânea, cabe também aos professores a aprendizagem sobre os distúrbios alimentares, para assim perceberem a existência desses fatores em seus alunos. Em casos como estes, a orientação por parte do professor ganha relevância no diagnóstico e tratamento de tais problemas, principalmente quando o profissional docente incentiva os alunos com distúrbios a buscar ajuda e fornece o suporte necessário para que estes jovens indivíduos superem suas dificuldades.

Eduardo Carvalho
Pólo de Praia Grande

Saúde na escola, é saúde do professor

Informações baseadas nas vídeo-aulas do Prof. Li Li Min e da Profª Paula Fernandes (Unicamp), para o curso de Especialização "Ética, valores e cidadania na escola" (EVC - USP/Univesp).

Dentre as principais causas de morte nas faixas etárias mais jovens, a maior parte se refere a fatores externos, o que dificultam as ações pontuais, devido à inexatidão ao se definir tais fatores. Porém, entre o grupo dos idosos, é certo que a principal causa dos óbitos refere-se à problemas cardiovasculares. Dessa forma, torna-se importante cultivar hábitos saudáveis na juventude; e aqui se encontra mais um dos papéis da escola na formação humana de nossos educandos.

Nos dias atuais, percebem-se problemas de saúde que não são recentes, mas agora estão mais visíveis e em maior quantidade. Por exemplo, a má alimentação, com falta de nutrientes e excesso de compostos nocivos a longo prazo, estão causando  distúrbios alimentares ainda na infância; assim como as exigências da sociedade e controle da mídia no que diz respeito à beleza estão fazendo aumentar os casos de anorexia nervosa, principalmente entre as adolescentes.
Da mesma forma que esses fatores se fazem presentes devido aos modos de vida contemporâneos, é preciso rever alguns deles em novas abordagens, principalmente no que se refere à afetividade e a sexualidade, pois, vividas sem orientação, aumentam os casos de DSTs e - mais presente no cotidiano escolar - a gravidez na adolescência.
Ao se preocupar com a saúde na escola, também é necessário prestar atenção à ampliação das formas de violência escolar, seja ela praticada de forma física ou psicológica (casos de bullying) ou até mesmo situações de porte de armas entre os alunos, bem como a distribuição e o consumo de substâncias psicoativas ("drogas") entre os estudantes.

Todos esses problemas ainda sofrem interferência de abordagens por parte dos meios de comunicação (que influenciam o comportamento de alunos e seus pais), do stress gerado mesmo na infância pelo excesso de atividades e cobranças e, mais recentemente, casos de depressão entre os mais jovens, fator relevante, mas que às vezes passa despercebido.

Radiografia, de Roberto Weigand
Portanto, cuidar da saúde na escola não se restringe mais a visitas de clínicos, odontólogos ou oftalmologistas, mas também estar atento a fatores que impedem o bem estar físico e mental de nossos educandos. Entretanto, como cuidar da saúde dos alunos se a própria saúde do professor não vai bem?
A profissão docente gera vários desgastes físicos e emocionais que, devido aos compromissos e necessidades do ser humano professor, são deixadas de lado ou apenas remediados para se suportar mais um dia de trabalho. É neste ponto que se encontra a dificuldade em manter a saúde não só do professor, mas de qualquer pessoa: não fazer exames preventivos, não cultivar hábitos saudáveis e não preservar nosso corpo de injúrias.

Dentre as principais causas de problemas de saúde do professor, estão as que se referem à voz, à postura e ao strees.
A saúde vocal é de extrema importância para o profissional do magistério, por ser o principal instrumento de comunicação com seus alunos. Projetar a voz com mais força para tentar vencer ruídos internos e externos só vão resultar em afastamentos por receita médica. É necessário cuidar da voz o tempo todo, tomando cuidado com a respiração, a projeção (timbre, direção, postura) e articulando bem a fala, como se fosse um alto-falante que precisa ser bem direcionado aos seus ouvintes.
Outra grande reclamação docente origina-se na situação da saúde postural, a conhecida "dor nas costas". Para mantê-la de forma satisfatória, faz-se necessário um alongamento antes das aulas, procurar não usar um ângulo maior que a própria altura para escrever no quadro e sempre preocupar-se em manter uma postura adequada (chamada de fisiológica), dentre outros cuidados necessários a quem passa várias horas em pé e por vezes se curva ou agacha para manter contato próximo com os alunos.
Relacionado também à falta de saúde do professor está o stress, que pode ser definido como a reação do organismo com componentes físicos  e psicológicos; situação que causa medo, confusão ou até certa felicidade. Das três fases do stress (alerta, resistência e exaustão), a gravidade reside quando se chega à última, também conhecida como síndrome de burnout: exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos. Das causas para esses males estão a sobrecarga quantitativa, falta de tempo e recursos, além do sistema deficitário do ensino. Entretanto, a principal fonte de stress vem da maneira como as pessoas interpretam e respondem às situações: restaurar a dimensão coletiva do trabalho, manter a calma, controlar a ansiedade, buscar os pontos positivos das situações, focalizar no que pode ser feito, não desenvolver dependências, ser flexível, praticar exercícios físicos, cuidar da própria esfera (pessoal, profissional, acadêmica), colaborar para um ambiente de trabalho agradável, não desanimar e buscar prestígio são dicas de como enfrentar o stress do(a) profissional docente.

Eduardo Carvalho
Pólo de Praia Grande