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domingo, 9 de novembro de 2014

Grandes Civilizações (série de TV)

Produzida em 2009 pela Sol 90 Audiovisual (Barcelona), esta série foi criada originalmente na versão em inglês, chamada "The Time Compass", exibida pela ABC. Também foi lançada nas versões em castelhano ("Grandes Civilizaciones") e em português, aqui exibida pela TV Escola (entretanto, não consegui encontrar nenhuma informação sobre a série no site desta emissora). Na equipe técnica, temos Ernesto Soto como produtor executivo, direção de Federico Badia e roteiro de Ernesto Soto e Federico Badia.

A série Grandes Civilizações é uma excelente ferramenta para ilustrar as aulas de História Antiga no Ensino Fundamental, pois oferece um texto simples, porém muito informativo, com narração amigável. Seu gênero é classificado como "animação" porque esta é realizada com colagens de obras de arte de cada período retratado, como as pinturas das paredes dos templos egípcios, desenhos em pergaminhos, estátuas clássicas, entre outras artes e documentos históricos, além de traços originais dos artistas da produtora.
No total, são apresentadas 16 antigas civilizações, cada uma em dois episódios de aproximadamente 11 minutos (tempo didaticamente apropriado), totalizando 32 episódios. Por experiência própria, posso afirmar que exibir estes mini-documentários funciona muito bem em sala de aula. Nas turmas de 6º e 7º anos em que exibi os episódios, a maior parte dos alunos prendeu sua atenção às animações e à narrativa, e foi surpreendente como eles souberam reproduzir e questionar sobre assuntos considerados difíceis para sua faixa etária.

Além das informações concernentes à civilização do episódio, a "bússola do tempo" também nos leva a outras partes do mundo para apresentar o que acontecia na história das demais civilizações durante o mesmo período exibido.

Os episódios dessa série são facilmente encontrados no Youtube, porém, gostaria de agradecer aqui ao meu desconhecido Fabio Vinícius Gongora, que em seu site disponibilizou todos os episódios através do OneDrive.

Abaixo, tem-se uma lista dos episódios da série. É claro, não esquecendo dos mais críticos, a única civilização africana apresentada na série é a egípcia, deixando de lado alguns grandes impérios, como Mali e Congo... ademais, não há sequer um representante da Oceania; assim, fica claro que apenas 16 civilizações são insuficientes para retratar a enorme riqueza social, cultural e econômica da Antiguidade. Ficamos na torcida para mais excelentes episódios:

Episódio 1: O Antigo Egito – parte 1
Episódio 2: O Antigo Egito – parte 2
Episódio 3: O Império Inca – parte 1
Episódio 4: O Império Inca – parte 2
Episódio 5: A Grécia Antiga – parte 1
Episódio 6: A Grécia Antiga – parte 2
Episódio 7: Os Astecas – parte 1
Episódio 8: Os Astecas – parte 2
Episódio 9: O Império Romano – parte 1
Episódio 10: O Império Romano – parte 2
Episódio 11: A China Antiga – parte 1
Episódio 12: A China Antiga – parte 2
Episódio 13: Mesopotâmia – parte 1
Episódio 14: Mesopotâmia – parte 2
Episódio 15: Os Maias – parte 1
Episódio 16: Os Maias – parte 2
Episódio 17: Japão – parte 1
Episódio 18: Japão – parte 2
Episódio 19: Os Hebreus – parte 1
Episódio 20: Os Hebreus – parte 2
Episódio 21: Celtas e Vikings – parte 1
Episódio 22: Celtas e Vikings – parte 2
Episódio 23: O Império Bizantino – parte 1
Episódio 24: O Império Bizantino – parte 2
Episódio 25: O Islã – parte 1
Episódio 26: O Islã – parte 2
Episódio 27: Índia – parte 1
Episódio 28: Índia – parte 2
Episódio 29: O Império Carolíngio – parte 1
Episódio 30: O Império Carolíngio – parte 2
Episódio 31: Os Persas – parte 1
Episódio 32: Os Persas – parte 2


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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Prezi - Renascimento Cultural

Se você é fã da banda Guns N' Roses, com certeza conhece as capas dos (já) clássicos álbuns Use Your Illusion I e II, de 1991. A silhueta em destaque nas duas capas faz parte da obra A Escola de Atenas (1509-1510), do renascentista Rafael Sanzio. Este e outros fatos ilustram como o Renascimento Cultural ainda está presente nos dias de hoje, tanto em sua forma acadêmica como no imaginário popular.
Capas dos álbuns Use Your Illusion (Guns N' Roses) e
detalhe de A Escola de Atenas (Rafael Sanzio).
 
E por falar em Guns N' Roses e
Renascimento... Monalisa for
Destruction, de Will Knack.
Outros exemplos seriam as inúmeras releituras - ou mesmo paródias - da Criação de Adão (1511), detalhe da obra de Michelangelo na Capela Sistina: mesmo quem nunca viu esta pintura em sua forma original, já se deparou com esta imagem e seus personagens ou cenário trocados. Da mesma forma, a célebre Mona Lisa ou La Gioconda (1503-1506) de Leonardo da Vinci talvez seja a obra mais conhecida deste período. Além disso, da Vinci também nos presenteou com seus projetos de máquinas voadoras, de guerra e arquitetônicos, impossíveis de serem concretizados em sua época, mas que hoje são objetos comuns nas paisagens humanizadas.

Assim, faço minha contribuição na divulgação deste tema com uma apresentação no formato Prezi sobre alguns artistas do Renascimento Cultural. Prezi é um aplicativo que permite edições com o recurso de zoom, causando um ótimo efeito visual. No caso desta apresentação, basta clickar nas setas direita e esquerda da barra inferior ou do próprio teclado para avançar ou retroceder entre as informações e imagens. Para uma melhor visualização, utililize o botão "fullscreen" (no canto inferior direito) para aumentar para a tela cheia:



É claro, impossivel listar todos os artistas deste importante movimento. Entretanto, como o Prezi pode ser editado a qualquer momento, aos poucos irei acrescentar outros artistas a esta apresentação.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Saul Bass: o pensamento se faz visível

Existe uma grande possibilidade de você reconhecer o logotipo ao lado. Ademais, se você acompanha a versão cinematográfica da saga X-Men, deve conhecer a bela abertura de "X-Men: First Class", de 2011 (veja o vídeo abaixo). Dessa forma, mesmo que inconscientemente, você está identificando as obras de Saul Bass (EUA, 1920-1996), renomado cineasta e designer gráfico que criou logotipos, cartazes e aberturas de filmes.



Hoje, quando inevitavelmente abri o Google para navegar, notei que inseriram um novo doodle. Frequentemente o site de buscas incorpora homenagens a personalidades ou datas comemorativas com a palavra "Google" formada com mais criatividade: pode ser com um simples desenho, uma animação ou um doodle interativo, em que se pode controlar o objeto, como a reprodução do sintetizador Minimoog, que podia ser tocado de verdade.
Voltando ao doodle de hoje, este homenageia Saul Bass com uma animação ao seu estilo. Confesso que ver esta animação causou-me a mesma sensação que tive ao assistir a abertura do filme "Prenda-me se for capaz", de 2002 (vídeo a seguir). Aquela sensação de "conheço isso de algum lugar", uma nostalgia por algo que não se sabe se foi vivido... Depois, descobri que tive essas impressões porque, de certa forma, boa parte dos designers de aberturas inspirou-se na obra de Bass. Assim, mesmo quem nunca assistiu a uma film title sequence de Saul Bass, com certeza viu alguma criada por um de seus "discípulos".



Veja a abertura do filme "It's a Mad, Mad, Mad, Mad World", criada por Saul Bass em 1963:



No caso dos logotipos criados por Bass, muitos ainda são usados, por sua incrível atemporalidade, passando a impressão de que foram desenhados com uma estética atual. Além do "velhinho da Quaker", você também deve conhecer alguns destes logos: Bell System, AT&T, General Foods, United Airlines, Avery International, Continental Airlines, Celanese, United Way, Rockwell International, Minolta, Girl Scouts of the USA, Lawry's Foods, Dixie, Frontier Airlines, Alcoa, Warner Communications e Fuller Paints.

Assim, continuo com meu estranho costume de não levantar da cadeira (ou do sofá) quando o filme acaba, e ler algumas partes dos créditos, pois artistas "ocultos" de um filme, como o designer, o compositor da trilha e o roteirista merecem ser reconhecidos por sua bela obra.

A seguir, a animação que aparece no Google de hoje - e somente hoje - publicada também no Youtube, com referências diretas a cartazes e aberturas do artista, em sequências de cores e silhuetas que se fundem em outras cores e silhuetas de Saul Bass, com direito ao jazz de Dave Brubeck, "Unsquare Dance":




Para não sair do tema deste blog: este artista é uma boa dica para uma interessante aula de Artes!

"Design is thinking made visible." (Saul Bass)


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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Professor, escola, instituições culturais: parcerias para uma cidade educadora

Informações baseadas nas vídeo-aulas da Profª Rosa Iavelberg (USP), para o curso de Especialização "Ética, valores e cidadania na escola" (EVC - USP/Univesp). Inseri algumas de minhas experiências como Professor, sobre o tema aqui abordado, para contribuir no debate.

A cidade pode se tornar educadora quando seus espaços são utilizados para fins pedagógicos. A prática mais comum nesta esfera consiste em visitas a espaços urbanos e/ou instituições culturais. Ademais, as novas tecnologias trazem o recurso de visitas virtuais, que podem servir tanto como complemento do projeto quanto como alternativa no caso da impossibilidade de uma visita física.
Visita feita com meus alunos do 8º ano ao Forte de
São João, em Bertioga / SP (maio de 2012).
Entretanto, as visitas precisam ser antecedidas de preparo dos alunos, com aulas sobre os conteúdos ainda na escola. Assim, durante a visita, o aluno irá se informar melhor e deixar fruir o conhecimento, promovendo também a interação entre os pares. Mesmo depois da visita, é importante retomar conteúdos e propor tarefas de assimilação, com trabalhos práticos e reflexivos orientados às aprendizagens que se quer consolidar.
No planejamento de um projeto visando o espaço urbano, o Professor deve considerar o material de pesquisa levantado e as ações que pode desenvolver. Os conteúdos precisam ser adequados ao grupo de alunos e seus interesses, bem como o envolvimento com a aprendizagem que o projeto despertará. O Professor planeja ações e visitas para o aluno conhecer os espaços públicos, nas palavras da Profª Rosa Iavelberg (USP), "com olhos para ver e saberes para interpretar" o traçado urbano, a arquitetura, os monumentos e as obras de arte. O aluno aprende a ver o entorno público, e o frequenta informado sobre seus conteúdos que não são revelados pela simples observação. Dessa forma, desde a Educação infantil pode-se estudar o espaço público com o objetivo de formação cultural.
Outra fonte da cidade educadora é a memória dos moradores e agentes culturais: muitos pais, avós, moradores e parentes são fontes vivas de informações sobre o lugar onde se vive e a história da cidade ou região. Os alunos podem participar da pesquisa trazendo fotos antigas de seus familiares no espaço da cidade de origem, e compará-las, com o apoio do Professor, às paisagens atuais. Ensinar sobre a arte presente nas ruas é valorizar a Arte no cotidiano das pessoas e no espaço público.

Sobre a parceria entre a escola e a instituições culturais, estas reúnem objetos de Arte interessantes às aprendizagens escolares e, como já foi citado, museus e casas de cultura podem ser visitados física e virtualmente (usar as tecnologias da comunicação e da informação envolve os estudantes nas atividades). Os objetos de Arte expressam conteúdos de diversas áreas do conhecimento escolar e favorecem seu ensino de modo vivo e instigante, tanto de Arte universal como das culturas importantes de cada região ou de épocas passadas.
Meus alunos do 9º ano no centro histórico de Santos / SP,
onde fizemos o passeio da linha turístico-histórica do Bonde
e visitamos o Museu do Café (maio de 2012).
Projetos desse tipo podem resultar em inspirações para que os alunos façam suas próprias intervenções no espaço público (mediante autorizações do poder local ou no espaço da escola). As manifestações artísticas dos alunos podem ser compartilhadas pelas famílias e membros da comunidade convidados.

Eduardo Carvalho
Pólo de Praia Grande

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sexta-feira, 29 de junho de 2012

O papel do Professor na mediação em diversidade cultural

Informações retiradas das vídeo-aulas da Profª Rosa Iavelberg (USP), para o curso de Especialização "Ética, valores e cidadania na escola" (EVC - USP/Univesp).

Um dos melhores caminhos para a mediação cultural é a Educação em Arte. Através dela, é possível desmistificar a Arte como objeto acessível a poucos, distante do cotidiano, com a promoção da consciência sobre o valor da Arte na sociedade e na vida dos indivíduos.
De acordo com a Profª Rosa Iavelberg (USP), o aluno aprende com produções próprias, com a dos pares e a partir do conhecimento sobre a produção sócio-histórica da Arte, de forma a desenvolver a auto estima do aprendiz porque possibilita a expressão de cada um, construída com base em saber fazer, saber interpretar e valorizar a Arte de modo autoral em um contexto de aprendizagem compartilhada.
Os temas transversais - questões sociais da atualidade - associam-se às poéticas e outras esferas importantes aos contextos educacionais. São ensinados com as obras associados a conteúdos plástico-formais, pois a Arte inclui a pessoa do aprendiz, suas características culturais e potencial de transformação da própria condição e lugar de origem.
A formação cultural mediada pelo Professor promove a integração social, aparoxima-se ao estudante, anima-o a frequentar a escola porque pode manifestar-se e compartilhar suas experiências com os pares e apresentá-las à comunidade escolar ou compartilhá-las em redes sociais.
Iavelberg  afirma que a Arte pressupõe práticas de educação diferenciadas, reconhece a cultura como conteúdo de poder transformador e formador  da identidade de educando. Dessa forma, cabe aos Professores selecionar Arte de qualidade para a identidade do aluno reconhecer-se nessas referências e na força dessas criações. Também é necessário trabalhar conteúdos para o estudante perceber a importância da autoria, do protagonismo nas formas, ideias, ações e escolhas em Arte; trabalhar a Arte com sentido na vida das pessoas e na sociedade.
Para tanto, é necessário ao Professor conhecimento sobre Arte e Educação em Arte, sobre o desenvolvimento artístico no fazer e desenvolvimento da compreensão estética e participação em eventos artísticos e experimentação em práticas artísticas.

Outro caminho diretamente ligado à Educação em Arte é ensinar sobre a diversidade cultural, ou seja, respeitar o direito dos povos de manifestar, documentar e preservar sua cultura. Assis, há promoção do respeito entre os povos e consciência de que as culturas são diversas e estão em mudança permanente.
A Profª Iavelberg  aponta que os meios de expressão e comunicação presentes nas diversas culturas refletem os diferentes contextos históricos e sociais. A aprendizagem sobre a diversidade cultural ocorre quando o Professor promove a criação e a fruição artísticas, para o aluno aprender sobre a diversidade expressa na Arte de diferentes tempos e lugares.
Cabe ao Professor considerar as influências culturais na arte de cada povo e sua especificidade política, social, religiosa, histórica, econômica, ambiental. Em Educação, os recortes de conteúdos e temas no planejamento da História da Arte tem papel fundamental na Educação orientada ao ensino da diversidade cultural na escola.
Estudar o sistema simbólico de cada lugar expresso nas lendas, mitos, festas, contos de tradição, música, arquitetuta, costumes, bem como valorizar a integração da produção de cultura local, estabelecendo relações com a História da Arte mais abrangente podem, mais uma vez, recuper o gosto por frequentar a escola, porque dizem respeito direto à identidade dos educandos, sua história, memória, e universo de experiência.
Calvin & Hobbes, de Bill Watterson (26-06-1993).

Eduardo Carvalho
Pólo de Praia Grande

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Artistas viajantes

Na postagem interior, foi comentada a incrível semelhança entre as paisagens do Rio de Janeiro e as reproduções digitais destes cenários para a animação Rio, de Carlos Saldanha. Dessa forma, dá-se prosseguimento ao tema através de alguns dos chamados "artistas viajantes", que produziram pelas regiões do Brasil principalmente entre os séculos XVII e XIX.
Dentre estes artistas, destacam-se aqui as produções da
Missão Artística Francesa:
A invasão da península ibérica por Napoleão fez com que a Coroa portuguesa partisse para o Brasil em 1808. Ao chegar, D. João VI decretou uma série de medidas econômicas e políticas que mudaram a organização social do Brasil. A família real preocupava-se, ainda, em europeizar o Rio de Janeiro. Posteriormente, a queda de Napoleão propiciou a retomada dos laços culturais entre a França e Portugal. À convite da Corte portuguesa, veio ao Rio de Janeiro a Missão Artística Francesa, chefiada por Joaquim Lebreton, e composta por um grupo de artistas plásticos. Dela faziam parte os pintores Jean-Baptiste Debret e Nicolas Antoine Taunay, os escultores Auguste Marie Taunay, Marc e Zéphirin Ferrez e o arquiteto Grandjean de Montigny. Esse grupo organizou, em agosto de 1816, a Escola Real das Ciências, Artes e Ofícios, transformada, em 1826, na Imperial Academia e Escola de Belas-Artes.
Durante os cinco anos em que aqui permaneceu Taunay, o pintor produziu cerca de trinta paisagens do Rio de Janeiro e regiões próximas:
  


Nicolas-Antoine Taunay. Vista do Morro de Santo Antônio, 1816
Debret. O entrudo no Rio de Janeiro, 1823.
Debret, por sua vez, realizou no Brasil uma imensa obra . Fez vários retratos da família real, aquarelas e desenhos sobre o cotidiano da cidade, retratando as atividades dos escravos, dos grupos indígenas e, também, sobre os fatos da vida da Corte. Pintou cenários para o Teatro São João (atual João Caetano) e realizou trabalhos de ornamentação da cidade do Rio de Janeiro, para festas públicas e oficiais, como a aclamação do rei D. João VI. Além disso, foi professor de pintura histórica na Academia de Belas-Artes, tendo permanecido no Brasil durante quinze anos. Um de seus trabalhos mais conhecidos é o livro "Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil", publicado em três volumes.

Desembarque da Princesa Real Leopoldina, de Jean-Baptiste Debret.

As viagens de cientistas, artistas e estudiosos tiveram um grande estímulo a partir de 1817, com o casamento da princesa Leopoldina, filha do imperador da Áustria, com D. Pedro. O grande interesse de D. Leopoldina pelas ciências naturais e pelas artes fez com que, em seu séquito, viesse uma enorme missão de cientistas e artistas europeus para explorar esse “país desconhecido”.
Integrando a comitiva da princesa também encontra-se o pintor austríaco Thomas Ender, que viajou pelo interior do Brasil, retratando paisagens e cenas da vida do povo, em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Ender permaneceu no Brasil por 18 anos, período em que produziu mais de 800 desenhos e aquarelas.
Finalizando, fica aqui mais uma sugestão de análise de imagens, priorizando a comparação das paisagens retratadas pelos artistas viajantes no passado e os atuais cenários do Rio de Janeiro. Esta cidade foi escolhida pelo vasto material produzido desde que foi estabelecida como centro político-administrativo do império português - e posteriormente brasileiro -, mas outras regiões também foram retratadas e estudadas da mesma forma. Ademais, a atividade torna-se mais interessante se, além de fotografias e videos, utilizarem-se as imagens geradas para a animação já citada, com a exibição do filme antes de iniciarem-se os trabalhos, ou durante as produções do alunos. A seguir, mais algumas obras de outros artistas estrangeiros:








Clik nas imagens deste post para obtê-las numa resolução maior.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

José Leonilson: o coração como matéria-prima

"Léo não conseguiu salvar o mundo."...
O Léo em questão é o artista brasiliero José Leonilson e o mundo que, aparentemente, não conseguiu salvar se apresentou a ele primeiramente em Fortaleza, no dia 1º de março de 1957 e, posteriormente, em São Paulo (1961), onde ingressou na FAAP em 1977 e depois partiu em sua primeira viagem ao exterior em 1981. O mundo, enfim, estava para ser salvo. Entretanto, como já disse André Abujamra, "o mundo de dentro da gente é maior do que o mundo de fora da gente" e, no caso de Léo, fica a dúvida sobre qual mundo tentou salvar.
Uma pessoa especial uma vez disse que Leonilson foi "o ser humano mais lindo que já existiu". Ao ouvir essa frase e presenciar a exposição sobre o artista no Itaú Cultural, cheguei à conclusão que também é preciso ser um humano lindo para compreender toda a complexidade do mundo de dentro de Léo.
A referida exposição chama-se "Sob o peso dos meus amores" e está em cartaz até o dia 29 de maio. O destino, sob meu controle ou não, levou-me até lá e descobri uma nova forma de se fazer Arte. Apesar de ser considerado pintor, gravador e desenhista, Léo não só utiliza-se dos objetos mais diversficados (tecidos, sucata, sobras de bijouterias, tinta, linha de bordado etc. etc. etc.), como também nenhuma de suas obras se concretizaria sem a principal matéria-prima, o coração. E este também servirá para que se possa apreciar as obras do artista: não basta olhar, tocar, cheirar... é preciso sentir. Sentir o coração de um talentoso tímido que, além de sofrer todo o preconceito por sua homossexualidade, ainda teve que conviver por dois anos com o conhecimento de ser portador do vírus da Aids.
Está tudo lá: seus sonhos, anseios, desejos, amores frustados e distantes, a família, a doença, o preconceito, os amigos... É interessante perceber que, ao ir a uma exposição para se ver obras, na verdade se viu uma biografia, escancarada, confeccionada pelo próprio protagonista. É latente a presença de pontes sobre rios distanciando cidades, opostos, pessoas, corações. Ainda utilizando mais a sensibilidade e menos o senso crítico, é muito bom (é esse o termo) observar a variação do tamanho das obras, que podem ocupar toda a altura da parede para ficarmos um bom tempo contemplando, ou exigir que apertemos os olhos para enxergar melhor minúsculas montagens e desenhos do tamanho do coração do artista no momento de sua concepção. Pela primeira vez, senti-me à vontade para definir o que um artista estava pensando (sentindo) ao produzir suas obras, pois fica claro que Leonilson quer que façamos isso... E dessa forma, Leonilson nos deixa - e ao mundo - no dia 28 de maio, em São Paulo. Apenas uma data convencionada pelos homens, pois o ser humano continua vivo. Se Léo achou que não conseguiu salvar o mundo - o de fora - com certeza está ajudando a salvar o mundo de dentro de muita gente.



(Com excessão da foto de Leonilson, as obras apresentadas neste post foram fotografadas na própria exposição - era permitido.)

domingo, 15 de novembro de 2009

República alegórica

Nosso cotidiano é repleto de símbolos e alegorias. Abrimos os jornais e observamos nossos políticos serem representados por figuras carregadas de significados, como um porco, um marajá ou um burro. Atribuímos a profissão de padeiro aos portugueses. Os chineses e japoneses são donos de pastelaria e são muito inteligentes, enquanto teimamos em dizer que nossos irmãos lusitanos são "burros" (outra alegoria, representando a falta de inteligência)... Não precisamos trabalhar no dia 21 de abril ou no 15 de novembro, mas não lembramos por que; apenas agradecemos por não termos que aturar nosso insuportável cotidiano. No dia em que é lembrada a morte (por enforcamento e esquartejamento) de Tiradentes, fazemos um churrasco. Porém, lembramos do significado do 7 de setembro, pois levamos nosso filho para a principal avenida da cidade a fim de reuni-lo com seus colegas e professores da escola para celebrar a Independência numa passeata. E nos orgulhamos e tiramos fotos. Principalmente se nosso filho está carregando a bandeira nacional, símbolo enraizado em nossos corações, o qual também nos identifica em eventos mundiais, como a Copa do Mundo ou as Olimpíadas.
'O Malho', 12/11/1904Existe uma lista infindável de símbolos e alegorias que se encontram enraizados em nosso imaginário (como o hino e a bandeira nacional) ou que são apenas tentativas de formá-lo (como o feriado de 15 de novembro ou a ideia de que a justiça é cega). A Proclamação da República no Brasil é considerada um evento histórico muito controvertido, no qual houve uma verdadeira batalha entre ideologias republicanas pela legitimação do novo regime. Dentre as formas buscadas para essa legitimação, a elaboração de um imaginário social é parte integrante. Nessa elaboração, foi dada muita importância à expressão dos sentimentos republicanos através de símbolos, alegorias, rituais e mitos. Atingir o imaginário popular a fim de agregar-lhe valores republicanos era um dos principais objetivos dos envolvidos na citada batalha. Nesta empresa, além do problema das divergências entre as correntes ideológicas envolvidas, encontrava-se também o fato da República ter sido proclamada sem a participação popular. Daí a necessidade de se criar um imaginário social sobre a República. Não basta mostrar ou inventar a verdade, é necessário fazer com que o povo a ame, apoderando-se de sua imaginação, formando almas.

Na busca pelo entendimento da legitimação da República brasileira, o cientista político e historiador José Murilo de Carvalho, em sua obra “A Formação das Almas: o imaginário da República no Brasil”, concentra-se no tema da batalha pelo imaginário popular republicano.

No mundo moderno, a ideologia é o instrumento para a legitimação de regimes políticos. Mantendo sua tradição de exportador de matéria-prima e importador de manufaturados, ideias e instituições, no contexto histórico da proclamação da República brasileira havia três correntes ideológicas: o liberalismo à maneira norte-americana (prezava a individualidade), o jacobinismo à francesa (prezava o coletivo) e o positivismo (divididos entre os positivistas e os positivistas ortodoxos). Supunham modelos de república, de organização da sociedade, carregados de aspectos utópicos e visionários. Essas ideologias disputavam a definição da natureza do novo regime político brasileiro. Nessa batalha, cada uma delas, à sua maneira, defendia o envolvimento popular na vida política.
Dentre os três distintos modelos de república disponíveis aos brasileiros, o norte-americano e o positivista davam ênfase à organização do poder, enquanto o jacobinismo colocava a intervenção popular como fundamento do novo regime. Com exceção de poucos radicais, os vários grupos ideológicos acabavam dando ênfase ao Estado. A dificuldade brasileira, tanto com os modelos antigos quanto os modernos, foi a falta da existência anterior do sentimento de comunidade, de identidade coletiva, de pertencer a uma nação. Sem esse sentimento, negligencia-se o fato universal da diversidade e do conflito.

'A Proclamção da República', de Henrique BernadelliNessa busca pela criação de um imaginário sobre a República, os vencedores do 15 de novembro tentaram construir uma versão oficial dos fatos, ampliando ao máximo o papel dos atores principais e reduzindo ao mínimo a parte que coube ao acaso. Iniciava-se a batalha pelo estabelecimento do mito de origem. Nesta luta, o embate se dava entre os partidários de Deodoro, Benjamin Constant, Quintino Bocaiúva e Floriano Peixoto. A luta maior é pela qualificação de fundador, entre Deodoro e Benjamin Constant e se estende até hoje. Com a análise das tentativas de construção desse mito de origem, para o autor, pode-se descobrir as contradições que marcaram o início do regime, mesmo entre os que o promoveram: o mito da origem ficou inconcluso, assim como a República. Vistas essas divergências, nota-se a dificuldade em encontrar ou construir um herói para o novo regime. O tema do herói interessa ao autor por ser um instrumento eficaz para atingir a mente e o coração do povo. Heróis são símbolos poderosos, encarnações de ideias, pontos de referência para a identificação coletiva. No caso da República brasileira, a construção do herói pode servir também para compensar e preencher o vazio da participação civil em sua proclamação. O personagem que aos poucos se revelou capaz de atender às exigências do mito não estava presente no evento da proclamação: Tiradentes.
'Tiradentes', de Décio VillaresEsse patriota, em seus últimos dias na prisão antes da execução, transformou-se num místico por força dessa experiência traumática e da lavagem cerebral que sofreu pelos frades. Esse misticismo final não destruiu seu apelo patriótico. A coragem que demonstrou vinha do fervor religioso. Assumiu explicitamente a posição de mártir, identificou-se abertamente com Cristo. Tudo isso se encaixava perfeitamente no sentimento popular, marcado pela religiosidade cristã. Não dividia as pessoas ou as classes sociais. Ligava a República à Independência e indicava o caminho para a liberdade. Até os dias atuais, sua figura é utilizada por conservadores e liberais, por revolucionários e reacionários. Tanto pela esquerda quanto pela direita. O autor conclui que este é o segredo para a vitalidade desse herói: a ambiguidade.

'República', de Décio VillaresInteressou também ao autor a utilização da alegoria feminina no imaginário republicano francês, e sua tentativa de importação pelos brasileiros. A alegoria da Primeira República francesa inspira-se na tradição clássica da deusa Atena. Na Segunda República, a alegoria agora é apresentada como uma mulher amamentando duas crianças, retirando o aspecto belicoso anterior. No período que precedeu a Terceira República, com a luta contra Napoleão III, recuperou-se a antiga representação. Como reação, o governo incentivou o culto à Virgem Maria. Eis uma batalha de cultos.
'Alegoria da República', de Manoel Lopes RodriguesNa importação dessa alegoria pelo Brasil, o esforço inicial deveu-se aos cartunistas, os quais utilizaram o modelo clássico. Apesar disso, os pintores, excetuando-se os positivistas, praticamente ignoraram o simbolismo feminino para a República. No caso dos positivistas, a mulher poderia ser utilizada na representação da escala dos valores positivistas, fugindo da representação clássica e da identificação com a mulher brasileira. Porém, este problema de identificação da alegoria com as brasileiras foi resolvido de forma prejudicial para a República. O desapontamento quanto aos rumos que a república brasileira A alegoria da república francesa, junto à 'irmã mais nova' brasileiratomara foi expresso pelos caricaturistas, que passaram a utilizar a figura feminina para ridicularizar a República. Prostitutas e velhas cansadas, essas eram as alegorias que representavam o resultado da república no Brasil. A representação feminina que não obteve caráter pejorativo, que se identificou com o povo, foi promovida pelo governo: o culto à Virgem Maria, representado na imagem de Nossa Senhora Aparecida. Além das profundas raízes católicas, essa imagem é negra, identificando-se melhor com a mulher brasileira. A batalha por essa alegoria no Brasil terminou com a vitória do religioso sobre o cívico.

Parte-se agora para a discussão da formação dos símbolos nacionais mais evidentes e de uso obrigatório: a bandeira e o hino. A batalha decisiva agora se volta para a representação oficial da República. Os positivistas conseguiram o mais importante: a aceitação popular. Mantendo-se algumas características da antiga bandeira, era mantida também a tradição cultural e cívica da população. Além disso, anunciava um futuro próspero com a divisa 'A pátria', de Pedro Bruno“Ordem e Progresso”. Dessa forma, foi feita a ligação entre o passado, o presente e o futuro. No caso do hino, a vitória foi completamente da tradição. O hino composto por Francisco Manuel da Silva já se enraizara na tradição popular, tornando-se um símbolo da nação. O autor conclui que a República só teve êxito quando se voltou às tradições mais profundas, mesmo algumas sendo alheias às suas características.

Assim, José Murilo de Carvalho analisou as diversas formas e meios para a criação de símbolos, alegorias e rituais que visavam legitimar a República. Para tanto, precisou ir além da historiografia e dos documentos oficiais, utilizando-se de periódicos, registros de depoimentos, pinturas e esculturas, analisando-os de forma a conceber a visão de mundo das diferentes classes sociais e ideológicas, compreendendo a visão geral daquela época, contribuindo na compreensão da atual. Como a maioria das ideias e símbolos utilizados é importada, o autor buscou explicar historicamente a formação destes em seus países de origem, dando ênfase ao positivismo; isso se deveu à habilidade dos positivistas em articular símbolos, elemento interessante ao autor em sua proposta. Particularmente, apreciei as análises sobre as pinturas, caricaturas e esculturas, nas quais cada detalhe é carregado de significado. Conclui-se, portanto, que os esforços das correntes ideológicas republicanas falharam na sua tentativa de criar um imaginário sobre a República. A ausência popular na proclamação criou uma grande barreira para a legitimação do novo regime, o qual obteve êxito apenas quando se voltou à tradição religiosa e imperial. Após essa contribuição do autor, pode-se entender melhor o fato de não lembrarmos porque não precisamos trabalhar no dia 15 de novembro e por que já nascemos amando a bandeira nacional, como se ela já existisse por si mesma. Porém, um mito, mesmo quando muito forte, deve ser constantemente alimentado. Enquanto somos crianças em idade escolar, nossa professora nos lembra todo ano da importância de Tiradentes, e confundimos sua figura quando ela nos diz que ele morreu por nós; contudo, quando crescemos, esquecemos por que existe o feriado de 21 de abril, pois ninguém nos lembra de seu significado. E fazemos um churrasco.

Referência bibliográfica:
CARVALHO, José Murilo de. A Formação das Almas: o imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Cinemateca Brasileira resgata acervo audiovisual jornalístico da TV Tupi

A Cinemateca Brasileira apresenta um conjunto de imagens de arquivo organizadas em uma base de dados, resultado do projeto Resgate do Acervo Audiovisual Jornalístico da TV Tupi. São reportagens de telejornais veiculados pela primeira emissora de televisão do Brasil, que foi inaugurada em setembro de 1950 e encerrou sua programação em julho de 1980.
Buscando a meta de 125 horas de imagens históricas, o banco de dados conta com um sistema de busca, no qual pode-se refinar a pesquisa através de campos como "data", "assunto", "jornal", "descritores" e até "local de produção". Agradeço à Assessora em Educação Suely Piedade Santos por me informar sobre esse acervo.

Com as novas tecnologias chegando ao cotidiano das salas de aula e a disponibilização de laboratórios de informática e projetores multimídia, ou mesmo em escolas com poucos recursos, esse banco de dados se alia à criatividade do professor em utilizar os materiais disponíveis e pode ser muito útil nas aulas de História, Arte e Geografia - ou de qualquer outra área do conhecimento. A seguir, o link de acesso ao Acervo Jornalístico TV Tupi.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Jogos africanos - Yoté

O Yoté é o primeiro de uma série de jogos africanos que publicarei, aos poucos, em posts deste blog. A seguir, informações sobre o jogo e suas regras. Dicas sobre como aplicá-lo em sala de aula podem ser encontradas na postagem Jogos Africanos.

YOTÉ

Este jogo, muito popular em toda a região oeste da África (particularmente no Senegal), é uma das melhores escolhas para a introdução do educando à cultura africana e, ao mesmo tempo, convidá-lo a desenvolver seu raciocínio e sentido de observação.
Em alguns países africanos, os jogos de estratégia, como o Yoté, estão muito ligados às tradições. As táticas de jogo são verdadeiros segredos de família, passados de geração em geração; as crianças são iniciadas ao conhecimento do jogo quando estas se mostram aptas ao raciocínio estratégico. Entre alguns povos, este jogo é reservado exclusivamente aos homens, e às vezes, é usado para resolver conflitos entre eles. Outro motivo que faz o Yoté popular, principalmente no Senegal, é o fato de que os jogadores e os espectadores fazem apostas baseadas neste jogo.
Em muitos grupos infantis, as crianças costumam traçar o tabuleiro na areia, utilizando como peças pequenos cocos, sementes, pedras ou qualquer outro recurso facilmente conseguido.
Classificado entre “os melhores jogos da infância” pelo Comitê Internacional da UNICEF, este jogo desenvolve muito a sagacidade e o sentido de observação. Com uma estrutura e regras totalmente baseados em estratégia, o Yoté incentiva o educando ao raciocínio, desde o posicionamento da primeira peça até a percepção de que se ganhou ou perdeu a partida. Vale ainda destacar a semelhança das regras do Yoté com o jogo de Damas, muito popular entre os brasileiros.

Regras do Yoté
  • É um jogo de confronto estratégico para 2 jogadores.
  • Usa-se um tabuleiro de 30 casas com 24 peças, 12 de cada cor ou tonalidade.
Objetivo: Capturar ou bloquear todas as peças do adversário.
Início da partida
  • Cada jogador escolhe uma cor e coloca sua reserva de peças fora do tabuleiro.
  • Os jogadores determinam quem começa.
  • Cada jogador, na sua vez, pode colocar uma peça em uma casa vazia da sua escolha, ou mover uma peça já colocada no tabuleiro.
Movimentos: As peças se movimentam de uma casa em direção a uma casa vazia ao lado, no sentido horizontal ou vertical, mas nunca na diagonal.
Captura
  • A captura ocorre quando uma peça pula por cima da peça do adversário, como no jogo de Damas. A peça que captura deve sair da casa adjacente à peça capturada e chegar, em linha reta, na outra casa adjacente que deve se encontrar vazia.
  • Além de retirar a peça capturada, o jogador retira mais uma peça do adversário de sua livre escolha. Assim, para cada captura, o jogador exclui um total de duas peças do adversário.
  • A captura não é obrigatória.
  • Caso um jogador sofra captura de uma peça e não possua outras sobre o tabuleiro, seu adversário não poderá reivindicar a outra peça a qual teria direito.
Captura múltipla
  • Um jogador pode capturar várias peças do adversário com a mesma peça, até que não haja mais condições de pular.
  • Durante a captura múltipla é obrigatório, depois de cada captura, retirar a segunda peça antes de prosseguir com outras capturas.
  • É permitido retirar uma peça que lhe dê condição de continuar capturando outras peças.
Final do jogo
  • O jogo termina quando um dos jogadores ficar sem peças ou com as peças bloqueadas.
  • Quando os jogadores concordam que não há mais nenhuma captura possível, vence aquele que capturou mais peças.
  • Se ambos os jogadores ficarem com 3 ou menos peças no tabuleiro, e não seja mais possível efetuar capturas, o jogo termina empatado.
Algumas informações e ilustrações foram retiradas do site da empresa Ludens Spirit. Faça aqui o download das regras ilustradas deste jogo em formato PDF.
A postagem abaixo contém dicas sobre como aplicar este e outros jogos africanos em sala de aula.

Jogos Africanos em sala de aula

Em acordo com as Leis nº. 10.639/03 e 11.645/08, publico esta postagem com orientaçõe sobre como aplicar jogos africanos em sala de aula, que podem ser utilizados num projeto de ensino-aprendizagem de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Em minha experiência profissional, apresentei os jogos à 8ª série nas aulas de Ensino Religioso mas, como os jogos são muito instigantes, podem ser aplicados em todos os ciclos da Educação Básica, nas disciplinas correspondentes às leis citadas.

Através dos marcadores africanidades e jogos africanos, tem-se acesso às publicações dos diversos jogos de origem africana postados neste blog.

Esses jogos, oriundos de uma cultura aparentemente desconhecida pelos educandos, tornam-a interessante por incitar ao raciocínio. As informações sobre história, origem e regras destes jogos já alcançam o objetivo de apresentar aos alunos algo da cultura africana. Porém, neste projeto pôde-se ir além: ao final dos trabalhos, os educandos desenvolvem outros conhecimentos, como a geografia da África, seus diversos países, bandeiras e até mesmo sobre a arte e a fauna específicas do continente africano. A seguir, serão fornecidas informações sobre como foi possível conseguir estes resultados:


1ª fase: apresentação dos jogos aos educandos
Esta primeira etapa é o momento em que se deve despertar a curiosidade dos educandos para os jogos. São apresentados os textos que explanam sobre as semânticas culturais dos jogos, o mapa da África e a localização dos países em que são populares.
Aqui é muito importante ter em mãos cada um dos jogos prontos, e simular partidas em que as regras são explicadas rapidamente, deixando uma lacuna que a curiosidades dos alunos se preocupará em preencher.

2ª fase: distribuição da turma em grupos de acordo com os jogos escolhidos e material
Neste momento, os educandos são convidados a confeccionar seus próprios jogos. De acordo com cada realidade das unidades escolares, a turma é dividida em grupos que escolherão um dos jogos para serem produzidos de forma artesanal.
Com relação ao material a ser utilizado, não há limites nem restrições. Na África, as crianças que não têm o tabuleiro resolvem o problema desenhando-o na areia, assim como as crianças brasileiras utilizam meias ou garrafas de plástico como bola e chinelos ou pedras como gol. Dessa forma, qualquer material que permita a produção dos tabuleiros e das peças pode ser utilizado.
Em minhas experiências, o tabuleiro foi confeccionado com cartolina, caneta esferográfica ou hidrocor, lápis de cor e régua. As peças ficaram a critério da imaginação de cada grupo de alunos: botões de roupa, tampinhas de garrafa, papelão...

3ª fase: decoração do jogo
Necessariamente, foi solicitado aos grupos que seu trabalho contivesse: nome do jogo, tabuleiro e identificação dos educandos, turma e professor. Porém, a decoração foi feita de forma autônoma pelos alunos, devidamente orientados.
Ficou a cargo do educador fornecer informações acerca da cultura, arte e geografia africanas. Foram disponibilizados Atlas geográficos, imagens sobre África e, de forma mais saliente, materiais sobre máscaras – uma das principais expressões culturais africanas. As atividades foram realizadas durante as aulas de História e de Ensino Religioso, mas com este material pode-se chegar a trabalhos relacionados às disciplinas de Geografia e de Artes.
O resultado de todo este trabalho foram jogos que vão muito além de uma divertida partida. Foram confeccionados tabuleiros decorados com bandeiras, mapas, informações geográficas, imagens sobre o tema e – o que mais chamou a atenção dos educandos – reproduções de máscaras africanas.

4ª fase: finalização dos trabalhos e conhecimento das regras para se jogar
Neste momento, resta apenas aos educandos conseguirem as peças. Como todo jogo de estratégias, só se aprende jogando. Com o tabuleiro pronto, a cartolina repleta de cultura africana e as peças disponibilizadas, chega-se à etapa mais esperada: jogar.
O educador então orienta cada grupo acerca dos movimentos e regras do jogo. Nesta etapa, percebeu-se um grande envolvimento por parte dos educandos, talvez por dois motivos: a diversão que todo jogo proporciona e, principalmente, o fato de estarem utilizando um jogo que é o resultado de seu próprio trabalho.

Acredito que nunca uma lei foi cumprida de forma tão divertida!

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sábado, 16 de maio de 2009

Primeira transmissão de rádio da História - a evolução do som

Há dois dias atrás, publiquei uma postagem sobre a criação do Estado de Israel, devido a coincidência com o dia 14. Entretanto, um fato a ser lembrado - que para mim é de extrema importância e curiosidade - é que o 14 de maio também é o dia em que, oficialmente, foi realizada a primeira experiência de transmissão de rádio da História, em 1897 pelo cientista italiano Guglielmo Marconi. Assim, revisitando a data do post anterior, escrevo sobre esse importante evento nas telecomunicações.
O assunto me interessa muito, pois, amante da música que sou, considero este o primeiro passo para a democratização do acesso à esse tipo de arte. Claro, a música - assim como as outras artes - é naturalmente democrática, considerando-se que o ser humano utiliza-se de suas capacidades físicas e mentais para produzir e sentir a música. Entretanto, o que eu quero dizer com democratizar diz respeito a seu acesso, antes apenas local, e a partir daí irrestrito a qualquer parte do mundo. Graças ao rádio, pessoas podem ouvir músicas - de seu gosto ou não - em qualquer lugar e, principalmente, produzida e reproduzida de qualquer parte! Como se não bastasse podermos ouvir rádios de outros países e estados, com a internet e outras tecnologias atuais, podemos ter acesso a radiodifusões internacionais.

Introdução feita, volto ao destaque que fiz acima sobre o fato de Marconi ser oficialmente o inventor da radiodifusão pois, contemporaneamente a ele, um padre brasileiro fazia experimentos com o mesmo objetivo em nosso território e, não obstante, conseguiu resultados antes de Marconi.
Este é um debate semelhante ao caso da invenção do avião, disputada entre o brasileiro Alberto Santos-Dumont e os irmãos norte-americanos Wilbur e Orville Wright. Entretanto, atribuir a paternidade da radiodifusão ao padre brasileiro é algo pouco explorado na História da ciência.
De qualquer forma, temos autores que defendem que o padre Roberto Landell de Moura foi o primeiro a realizar experimentos de transmissão da voz humana através de aparelhos não conectados por fios. Entre os anos de 1893 e 1894 apresentou três aparelhos ao público: um transmissor de ondas, um telégrafo sem fios e um telefone sem fios. Dentre suas experiências públicas, a mais célebre foi a realizada do alto da Avenida Paulista ao Alto de Sant'Ana, numa distância de oito quilômetros.
Por não encontrar apoio oficial e institucional para suas experiências, padre Landell só pôde patentear seus inventos tardiamente, a partir do ano 1900. Mesmo assim, esta patente do padre-cientista brasileiro dizia respeito a um aparelho capaz de transmitir voz humana (radiofonia), sendo que o italiano Marconi, até então, só havia se dedicado à radiotelegrafia.

Debates sobre a paternidade da radiodifusão à parte, volto à questão da democratização do acesso a diferentes tipo de música referindo-me aos tempos atuais, em que o acesso à música parece ser quase totalmente irrestrito, graças à tecnologia do MP3. Este formato digital de música, desenvolvido em 1991 não foi o primeiro do gênero: sua praticidade encontra-se na compactação dos arquivos de música, antes com tamanho relativamente grande para os dispositivos de armazenamento da época. Servindo inicialmente para se ouvir e transportar músicas somente pelo computador, hoje existem mídias e aparelhos que armazenam e reproduzem esses arquivos de maneira fácil, rápida e, principalmente, portátil. Há inclusive como ouvir músicas digitais armazenadas em servidores de qualquer lugar do mundo, através do conceito de rádio on-line.
Considerando-se que até o século retrasado as pessoas só poderiam ouvir suas músicas preferidas - as que tinham acesso - ao vivo ou comprando apenas suas partituras, o avanço foi muito considerável, afetando a sociedade em diversos níveis: comportamental, comercial, industrial... até o ponto em que num passeio qualquer pelas ruas encontramos inúmeras pessoas curtindo suas milhares de músicas armazenadas em seus players portáteis equipados com fones de ouvido - e, nesse ponto, cabe questionar se, com tantas músicas, pode-se realmente aproveitá-las em sua essência.

Contudo, como esse é um blog educacional, contribuo deixando essa linha do tempo que projetei e chamei de A evolução do som, no que diz respeito aos equipamentos e tecnologias que armazenam e reproduzem músicas. (Clickando nela, pode-se visualizá-la num tamanho maior).
Nesta linha, considerei o registro das primeiras experiências de cada tecnologia, observando, por exemplo, a data do rádio, já explicada acima. Eu usei este gráfico com a 5ª série do Ensino Fundamental e com o 3º ano do Ensino Médio, dada a extensão de sua funcionalidade, pois este é um assunto muito curioso para nossos alunos, muitos deles já nascidos na era do CD ou até mesmo do MP3.
Suas aplicação são das mais diversas: pode-se, por exemplo, trabalhar o conceito de cronologia, apresentando as datas numa ordem misturada e solicitar aos alunos que as organizem; pode-se perguntar aos alunos quais aparelhos conhecem e quais deles foram inventados antes ou depois de sua data de nascimento; outra aplicação seria discutir como a evolução dos aparelhos sonoros afetou o comportamento das pessoas no ato de adquirir e ouvir música, de forma coletiva ou individual.
Conta-se que o engenheiro criador do walkman teve essa ideia ao ver um homem nas ruas carregando um enorme rádio toca-fitas estéreo conectado a fone de ouvidos, buscando escutar suas músicas sem incomodar outras pessoas. Assim, a invenção de um toca-fitas portátil foi de grande influência comportamental. Entretanto, atualmente, apesar de toda a portabilidade existente, muitos adolescentes criaram o costume de ouvir músicas através dos pequenos alto falantes externos dos celulares, abrindo mão da qualidade sonora para expor seu gosto musical a quem estiver próximo - goste do estilo da música ou não.

De qualquer forma, comportamento é algo que está em constante transformação e, dessa forma, termino minha homenagem a Marconi e Landell, os primeiros a se preocuparem com a comunicação a longa distância sem necessitar de fios e, assim, aproximando as pessoas e ajudando a democratizar o acesso a músicas de diferentes estilos e partes do mundo.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Deuses egípcios

Apesar de toda a complexidade do tema, trabalhar Egito Antigo com alunos do Ensino Fundamental pode tornar-se bem empolgante quando trazemos a eles as fantásticas histórias da mitologia egípcia. Deuses com feições em que se misturaram características humanas com animais, relações com a vida após a morte, intrigas entre deuses e relações amorosas em que o sexo é tratado como parte dos rituais religiosos despertam a curiosidade dos alunos.
O contato com esses deuses estimulam a imaginação, e uma das formas de promover esse conhecimento é apresentando imagens e histórias dessas figuras mitológicas. Como suporte a esse tema, abaixo disponibilizam-se desenhos de alguns deuses, em preto e branco. Com esse material, podem-se realizar diversas atividades, como histórias em quadrinhos, reconhecimento de características, pintura, textos relacionando os desenhos e o que mais a imaginação do professor permitir. Clickando na imagem, pode-se obter o desenho ampliado:

Amon era também considerado o rei dos deuses. Muitas vezes era associado ao deus Rá (ou Ré), formando assim o deus Amon-Rá, o deus que traz o sol e a vida ao Egito. Era representado na forma de um homem em túnicas reais com duas plumas no cabelo.
Anúbis, também conhecido como Anupu é o deus da morte e dos moribundos, por vezes também considerado deus do submundo. Conhecido como deus do embalsamamento, presidia às mumificações e era também o guardião das necrópoles e das tumbas. Os egípcios acreditavam que no julgamento de um morto era pesado seu coração e a pena da verdade. Era ele quem guiava a alma dos mortos no Além.

Hator é uma das deusas mais veneradas do Egito Antigo, a deusa das mulheres, dos céus, do amor, da alegria, do vinho, da dança e da fertilidade.

(ou Ré) é a principal divindade da mitologia egípcia. É o Deus do Sol. Como uma das culturas agrícolas mais antigas e mais bem sucedidas da Terra, os antigos egípcios deram ao seu deus sol, Rá, a supremacia, reconhecendo a importância da luz do sol na produção de alimentos.A representação habitual de Rá era na forma de um homem com cabeça de falcão encimada pelo disco solar e pelo uraeus (serpente sagrada que cuspia fogo, destruindo desta forma os inimigos do deus), segurando nas mãos o ankh e o ceptro uase.

Osíris era um deus da mitologia egípcia, associado à vegetação e a vida no Além. Foi um dos deuses mais populares do Antigo Egito, cujo culto remontava às épocas remotas da história egípcia e que continuou até à era Greco-Romana, quando o Egito perdeu a sua independência política.
Marido de Ísis e pai de Hórus, era ele quem julgava os mortos na "Sala das Duas Verdades", onde se procedia à pesagem do coração ou psicostasia.

Ísis era uma deusa da mitologia egípcia. Segundo a lenda, Ísis ajudou a procurar o corpo de Osíris, que tinha sido despedaçado por seu irmão, Seth. Ísis, a deusa do amor e da mágica, tornou-se a deusa-mãe do Egito.

Hórus era o deus egípcio do céu, filho de Osíris e Ísis. Tinha cabeça de falcão e seus olhos representavam o sol e a lua.




Seth (ou Set) é o deus egípcio da violência e da desordem, da traição, do ciúme, da inveja, do deserto, da guerra, dos animais e serpentes. Seth era encarnação do espírito do mal e irmão de Osíris, o deus que trouxe a civilização para o Egito.

Na mitologia egípcia Sekhmet, Sachmet, Sakhet, Secmet ou Sakhmet ("a poderosa") é a deusa da guerra e das doenças. Sua imagem é uma mulher coberta por um véu e cabeça de leão. Muito temida no antigo egípcio, sendo ela o símbolo da punição de Rá: o Deus-Sol enviou Sekhmet (um possível aspecto mau de Hathor) para destruir os humanos que conspiravam contra ele.

Estes desenhos foram retirados da cartilha Pequenos Pagãos III. Se desejar, click aqui para baixar o arquivo completo, que também contém outros deuses egípcios.